09 de julho de 2026
Polícia

Criança de 20 dias morre asfixiada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma criança com apenas 20 dias morreu asfixiada na madrugada de ontem enquanto dormia na mesma cama com a mãe de 23 anos. A fatalidade registrada no Parque Viaduto foi comunicada à polícia por volta das 6h, apenas quatro horas depois do bebê pegar no sono.

De acordo a Base Comunitária Oeste da Polícia Militar (PM), quando a mãe acordou, a criança já estava sem vida. Abalada, ela mesma acionou a PM, que esteve no local, colheu as informações e não identificou sinais de violência na vítima. O peso do corpo da mãe ou dos cobertores pode ter provacado a morte, que será apurada pela Polícia Civil.

Informações do Instituto Médico Legal (IML) dão conta de que aproximadamente 20 ocorrências da mesma natureza são registradas por ano em Bauru. Há três anos, as estatísticas eram piores: cerca de quatro crianças morriam asfixiadas por mês.

“Graças às informações prestadas por médicos e assistentes sociais, o número de casos diminuiu bastante. É mais comum o bebê morrer de insuficiência respiratória ao aspirar o leite regurgitado enquanto dorme. Da mãe estar junto (na mesma cama durante à noite) é mais comum no inverno”, diz o diretor do IML, Ivan Segura.

Ele sugere que, diante das baixas temperaturas, as mães agasalhem bem os bebês, mas mantenham liberadas as vias respiratórias (boca e nariz). “A criança nunca deve dormir na mesma cama (junto com os pais). A recomendação é tirá-la do quarto aos 3 meses, desde que não tenha manifestado doença ou seja uma criança que vomite muito”, acrescenta o pediatra Francisco Garcia Neto.

De acordo com ele, os bebês regurgitam porque ao mamar engolem ar, que deve ser expelido. Por essa razão, segundo o médico, o mais adequado é aguardar entre cinco e dez minutos após a mamada para colocá-los para dormir. Nesse período, a criança tem chance de arrotar, caso contrário pode regurgitar durante o sono. O bebê que não engole ar, não tem a mesma necessidade.

“Se a criança não eliminar (o ar) fica incomodada. O bebê tem de ser colocado de lado ou de bruços (no berço). Se vomitar, não corre o risco de aspirar (o leite). A criança que tem refluxo (vomita constantemente) tem de tomar medicamento. Temos também de elevar (a cabeceira do berço) em até 30 graus. No frio, algumas mães botam para dormir logo”, comenta o pediatra que já perdeu um paciente asfixiado.

Um outro tipo de acidente fatal mais comum em dias de baixa temperatura é o incêndio provocado por aquecedores improvisados, como brasas e vasilhames com álcool queimando.

“A queima (do álcool ou da brasa) consome o oxigênio do ar e produz gás carbônico. Se o ar ficar com excesso de gás carbônico pode começar um processo de asfixia. A partir da saturação do ambiente por escassez do oxigênio, o processo da queima produz também monóxido de carbônico, que é tóxico. Aí começa processo de intoxicação”, explica o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Geraldo Aparecido Delmonte.

De acordo com ele, se a pessoa estiver dormindo, pode morrer sem acordar. Além disso, eventuais faíscas lançadas pelos queimadores improvisados podem atingir móveis, tapetes ou cortinas e desencadear incêndio de grandes proporções, especialmente em casas de madeira, alerta.