09 de julho de 2026
Polícia

Pichadores atacam escolas na Zona Leste

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

As escolas estaduais Ada Cariane, no Núcleo Mary Dota, e Padre Antônio Jorge Lima, no Núcleo Bauru 2000, amanheceram ontem pela manhã com parte das paredes externas pichadas. A polícia investiga se os atos de vandalismo contaram com a participação de alunos e se eles foram causados pelo mesmo grupo.

A vice-diretora da escola Ada Cariane, Adélia Guarnetti Quaggio, afirma que notou as pichações quando chegou ao prédio, por volta das 7h de ontem. “No dia anterior, quando terminamos o período noturno, estava tudo intacto”, relembra.

Segundo ela, o prédio havia sido totalmente pintado há dois meses. “Fizemos um sacrifício para deixar a escola mais bonita, mas agora eles picharam as paredes da frente e do fundo, danificando inclusive trabalhos que haviam sido feitos pelos alunos nas aulas de educação artística. A gente vai até desanimando”, lamenta.

A coordenadora da escola Padre Antônio Jorge Lima, Flávia Campos, diz que as pichações atingiram paredes, portas e vidros do prédio. “Nós temos câmeras de segurança, mas eles viraram o equipamento para cima e picharam a lente. Com isso, ficou difícil para enxergar as imagens”, comenta.

De acordo com ela, foi possível notar apenas que o ato de vandalismo foi cometido por volta de 3h40. “Também detectamos que um aluno nosso pode ter participado da pichação”, declara.

O titular da Delegacia da Infância e da Juventude (Diju), Adib Jorge Filho, afirma que um papel encontrado com o aluno contém sinais iguais aos utilizados na pichação. “Vamos pedir um exame pericial para comprovar esse fato”, revela.

Além disso, ele pretende ouvir testemunhas para tentar identificar os autores das pichações. Sobre a possibilidade dos atos de vandalismo nas duas escolas terem sido causados pelas mesmas pessoas, o delegado diz que essa é uma hipótese que está sendo estudada. “Mas acho que isso é difícil, porque os sinais são diferentes”, destaca.

Para tentar conter a incidência das pichações que se espalham por prédios públicos, residências e estabelecimentos comerciais de Bauru, a polícia iniciou no ano passado um trabalho para tentar identificar os vândalos e responsabilizá-los por seus atos. Cerca de 70 nomes foram incluídos em um cadastro e alguns adolescentes chegaram a ser encaminhados para a Vara da Infância e da Juventude.

A legislação prevê pena de três a seis meses de detenção para os maiores de idade que forem condenados por pichação, ação que é considerada crime contra o meio ambiente.

No caso dos menores de idade, é aplicada uma medida sócioeducativa, que pode consistir na prestação de serviços comunitários e na reparação dos danos causados. Além disso, os responsáveis podem ter que indenizar o proprietário do imóvel cuja pintura for danificada.

Para Jorge Filho, não basta, no entanto, aplicar a lei para conter os pichadores. “Há uma necessidade dos pais exercerem um controle maior sobre os filhos, que fazem esses atos apenas para demonstrar astúcia perante o grupo”, analisa.