08 de julho de 2026
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Lançada comercialmente em 1921, a radiofonia tornou-se, a partir de então, no mais célere e penetrante veículo de comunicação social inventado pelo homem, atributos que não têm pela frente distâncias e obstáculos insuperáveis, chegando claramente, dia e noite, aos ouvidos do público. Historicamente, não se têm condições para identificar exatamente alguém que tenha sido seu inventor exclusivo, ainda que os seus principais fundamentos sejam os mesmos empregados na radiotelegrafia (telégrafo sem fio), na qual é muito mais difícil transmitir palavras e músicas do que o chamado código Morse.

Sabe-se, contudo, que vários cientistas contribuíram expressamente com suas experiências para a grande invenção, a qual só viria a acontecer por ocasião da primeira guerra mundial. Inclui-se entre os homens da ciência R. A. Fessenden, que em 1900 construiu um aparelho radiotelefônico, posteriormente aperfeiçoado por W. F. Alexanderson e Lee de Forest, este inventor do tubo vácuo (válvula) e, então, considerado por muitos o pai da telefonia.

Entretanto, as honras da conquista talvez caiam sobre o físico alemão Heinrich Hertz ou também a Guilherme Marconi. Nenhum deles, porém, poderia imaginar a fabulosa expressão social que o rádio viria a assumir neste século, em função do que hoje se contam dois rádios para cada norte-americano e, no mundo, quatro para cada habitante, que os têm em suas casas como o melhor instrumento informativo e recreativo.

No Brasil, como nos outros países, o rádio também teve, logo após sua criação e ampla fabricação, profunda influência auditiva e cultural, haja vista que inúmeras radioemissoras passaram a surgir nas principais cidades, especialmente Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, destacando-se as rádios Tupi, Mairinque Veiga, Excelsior, Farroupilha, Educadora, Nacional e Record, sofrendo alguma retração apenas quando do aparecimento da televisão (década de 50), mas se recuperando imediatamente e se mantendo nessa gloriosa caminhada sem mais solução de continuidade, como ainda se encontra, ganhando, conseqüentemente, merecida acolhida das populações, fruto de programações sempre modernizadas, em que se realçam noticiários e comentários atualizados, músicas variadas e atraentes, cantores e cantoras de projeção, novelas bem inspiradas, esportes rigorosamente transmitidos e outras iniciativas, acompanhadas pela sociedade através dos milhões de aparelhos receptores das moradias, das lojas, das fábricas e também dos veículos motorizados. Chega a radiofonia aos 83 anos cada vez melhor. Nossas homenagens!

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Esqueça-se a exaustão da caminhada, pois a vida é um roseiral selvagem mas amplamente colorido, onde o perfume das flores cobre a mágoa e o castigo dos espinhos”.