Com o frio começando mais cedo neste ano e mais intenso do que em 2003, a maioria das lojas de confecções do comércio de Bauru já sofre com a falta de opções em mercadorias para o público consumidor. As boas performances de vendas registradas na semana passada, em função do Dia dos Namorados, devem reduzir ainda mais a quantidade de roupas a partir dos próximos dias, principalmente dos artigos mais “pesados”.
Em entrevista recente à reportagem, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, disse que, nos últimos anos, os comerciantes passaram a fazer pedidos menores da coleção outono-inverno.
“O período que temos de frio é curto, e ter estoques menores evita que os lojistas fiquem com mercadorias encalhadas. Então, os fornecedores, de uma forma geral, estão produzindo praticamente a quantidade suficiente para atender seus clientes. O problema neste ano é que o frio está durando mais tempo e sendo mais forte que nos últimos anos, ou seja, lojistas e indústria estão enfrentando uma situação nova”.
Se por um lado o Dia dos Namorados foi bom em resultados de vendas para o comércio, por outro as lojas de confecções estão sofrendo com a continuidade do frio e uma conseqüente falta de opções para oferecer aos consumidores.
Em uma loja localizada no Calçadão da Batista de Carvalho, o gerente Luiz Colpani diz que, das fábricas com as quais trabalha, somente cerca de 20% ainda têm produtos em estoque. As demais, não.
“Como a loja é de artigos populares, procuramos sempre intensificar ao máximo o estoque. Mas neste ano o frio pegou todo mundo de surpresa, até mesmo a indústria têxtil. Já há vários dias estamos tendo dificuldade de encontrar produtos junto às fábricas, e desde antes do Dia dos Namorados a loja está com falta de opções para oferecer ao público. Não vamos chegar até o fim do inverno com estoque”, avalia Colpani.
Em relação às vendas, o gerente comemora e diz que a loja está vendendo ceca de 30% a mais em comparação com junho do ano passado. “Mesmo com a alta de algumas matérias-primas, como o algodão (alta de 25%), as vendas estão melhores neste ano. Se tivéssemos mais mercadorias em estoque, certamente venderíamos tudo.”
Pouca escolha
Em outra loja do Centro - que possui confecção própria -, o gerente Edson Vitali diz que restam pouquíssimas opções em jaquetas masculinas e femininas e em moletons mais grossos. Na matriz que abastece as lojas da rede, a informação obtida pelo gerente é de que não há estoque para repor “satisfatoriamente” a falta de roupas da coleção outono-inverno.
“O correto é a loja sempre ter quantidade suficiente de mercadorias para atender os clientes da melhor maneira. Mas uma situação como essa é muito difícil para nós, porque as opções estão acabando e o inverno ainda nem começou. Talvez fosse melhor sobrar um pouco de mercadoria para ser colocada em promoção depois, do que reduzir as opções ao consumidor. Mas estamos de mãos atadas”, lamenta.
O gerente de outra loja de artigos masculinos e femininos, André Ribeiro Miranda, também já sofre com o problema da falta de mercadorias. O lado bom é que tudo o que entra na loja está sendo vendido, inclusive artigos que não estão em promoção. Nesta loja, as vendas estão bem acima do esperado, segundo o gerente.
“Jaquetas jeans, por exemplo, eu ainda consigo na nossa fábrica, mas as roupas de lã e linha os fornecedores já não têm mais para nos entregar. Para se ter uma idéia, a loja vendeu cerca de 40% a mais no Dia dos Namorados deste ano em comparação com 2003. Agora, as fábricas já estão produzindo roupas para a coleção primavera-verão, por isso, temos dificuldade para repor peças de frio”, observa Miranda.
Em uma loja com unidades no Centro e no Bauru Shopping, Maria Elídia Souza Carvalho diz que a maioria dos fabricantes não está mais recebendo pedidos. Antes do Dia dos Namorados foi feita uma reposição de peças já com restrições em relação à quantidade de opções. “O lado bom é que as vendas estão acima do esperado.”