Por orientação da Secretaria da Administração Penitenciária, os diretores dos presídios estão convocando agentes que exercem funções administrativas, diretores e até funcionários que estariam de folga no domingo para que os detentos possam receber suas visitas na data, como ocorre todas as semanas apesar da greve. Porém, o sindicato da categoria avisa que os 30% dos agentes que estão trabalhando para garantir os serviços essenciais não vão ajudar a receber e revistar os visitantes nem vistoriar o que for levado aos presos.
Para Márcia Ferraz Barbosa, coordenadora do movimento de greve em Bauru e região, é arriscado autorizar visitas com um número reduzido de funcionários. “Não há a menor condição de permitir visitas. Aumentando o número de pessoas dentro das unidades, a segurança ficará vulnerável. Se as visitas decidirem não sair da unidade, ficarem como reféns dos presos, não terá efetivo lá dentro para atuar. Se isso ocorrer, será responsabilidade unicamente do diretor”, ressalta.
Das quatro unidades prisionais de Bauru, até ontem à tarde, a única que confirmou que iria receber visitas no domingo foi a Penitenciária 1. Wilson Erloza Júnior, diretor da unidade, conta que convocou diretores e chefes de turno - cerca de 15 pessoas - que normalmente não trabalham no recebimento das visitas para a função.
Ele espera que os agentes de plantão no domingo, apesar da greve, ajudem no trabalho. “Vamos receber as visitas das 9h às 16h. Só não teremos a visita no sábado, que será transferida para outra data (a visita aos sábados ocorre uma vez por mês)”, diz. Os 1 mil presos da P1 recebem entre 500 e 600 visitas aos domingos.
A direção da Penitenciária 2 também convocou funcionários de outros setores para tentar garantir a visita no domingo. “Convocamos, mas ainda não definimos o horário da visita, se será ou não alterado”, diz Amauri Cássio Prudente, diretor substituto da unidade que abriga pouco mais de 1 mil presos.
Banho de sol
As duas penitenciárias, aliás, já contaram com funcionários de outros setores ontem para liberar os presos para o banho de sol. Erloza Júnior conta que pediu a colaboração dos detentos no sentido que não houvesse nenhum incidente. “Explicamos a situação e avisamos que se eles se recusassem a retornar para as celas, iríamos acionar a Polícia Militar (PM)”, diz. A PM está de sobreaviso para intervir em caso de rebelião, fuga ou outro problema.
A mesma convocação foi feita aos funcionários do Centro de Detenção Provisória (CDP), mas a informação dos agentes é que os visitantes não poderão entrar na unidade. “Fizemos uma reunião com os agentes e ficou acertado que não vamos liberar as visitas. A única coisa é que vamos receber das visitas são materiais de higiene, que podem ser deixados na portaria e nós vamos entregar aos presos”, afirma Fabiano Soares Pinto, agente penitenciário da unidade.
Pinto ressalta que os agentes não vão receber alimentos e outros produtos encaminhados aos presos. “Só receberemos produtos de higiene porque trata-se de itens essenciais e é fácil inspecionar”, frisa. Ele garante que os agentes de plantão no domingo vão se negar a receber os visitantes. O CDP abriga quase 1 mil presos.
Até ontem à tarde, o Instituto Penal Agrícola (IPA) também ainda não havia definido se haverá ou não visita no domingo. “Recebemos o pedido de convocação e estamos aguardando uma posição”, conta Gilberto de Assis Oliveira, diretor da unidade. Entre 100 e 120 pessoas visitantes os reeducandos do IPA aos domingos.