Uma modalidade de golpe que começou a ser praticada no início do ano em diversos locais do País, inclusive em Bauru, voltou a ser registrada anteontem na cidade. Pelo menos seis comerciantes das regiões central e sul foram alvo de tentativa de extorsão realizada por pessoas que se disseram ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os golpistas telefonaram anonimamente para os estabelecimentos comerciais e ameaçaram cometer atos de violência contra as vítimas caso não recebessem os valores solicitados.
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), delegado J.J. Cardia, nenhum dos comerciantes aceitou as exigências dos criminosos e três deles registraram boletim de ocorrência. “Eles começam pedindo R$ 20 mil e depois vão baixando para R$ 10 mil, R$ 5 mil e chegam até a R$ 30,00”, relata.
O delegado revela que os criminosos agem da mesma forma em todas as cidades onde aplicam o golpe, ou seja, pedindo que o valor solicitado seja investido na compra de cartões telefônicos com créditos para celulares pré-pagos ou depositado em uma conta. “Ela é aberta com documentos falsos e fechada tão logo ocorre o depósito”, comenta.
Cardia descarta, porém, que os autores dos telefonemas façam parte do PCC. “Esses telefonemas vêm do Rio de Janeiro, do interior de presídios, mas lá não há integrantes dessa facção”, declara.
O comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, capitão Benedito Roberto Meira, afirma ter conversado com alguns comerciantes que receberam as ameças. “Eles ficaram assustados, porque não estão acostumados com esse tipo de situação”, argumenta.
Nenhum deles, porém, aceitou conversar com a reportagem, alegando temer represálias.
Orientação
Cardia orienta as pessoas que forem vítimas da tentativa de extorsão a comunicarem a polícia imediatamente. “Quando elas nos avisam do fato, passamos a monitorar as ligações. Os golpistas desconfiam que nós estamos no caso e param de ligar. Houve oportunidades em que eu passei a ser o negociador e percebemos que se tratava de um golpe”, declara.
Ele tranqüiliza os comerciantes quanto à possibilidade das ameaças feitas pelos criminosos serem cumpridas. “Não há represálias. Como eles estão no Rio de Janeiro e não contam com ninguém aqui na cidade, não têm como fazer nada”, argumenta.
O golpe vem se repetindo sistematicamente em cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro desde janeiro. Em Bauru, Cardia relata que cerca de 30 pessoas já receberam ameças por telefone desde então. Na região, foram verificados casos em Bariri e Barra Bonita.
A conclusão de que as ligações partiram do Rio de Janeiro foi do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), de São Paulo. O órgão monitorou as chamadas e descobriu que algumas delas foram feitas em penitenciárias cariocas.
• Serviço
As pessoas que sofrerem tentativas de extorsão podem acionar a Polícia Civil, através do telefone (14) 3224-3090, ou a Polícia Militar, através do telefone 190.