09 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando: Essa Montana você nunca viu!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O comerciante Daniel Trentini, de São Caetano do Sul (350 quilômetros de Bauru), estava de passagem pela cidade para prestar serviços na área de transportes, onde atua há algum tempo. Nas “andanças” pelo município, já no final do dia, sua agenda marcava um compromisso no Jornal da Cidade, onde causou “frisson” e virou motivo de reportagem quando entrou com seu veículo na garagem do JC.

Isso porque o carro de Trentini, uma Chevrolet Montana 1.8 bicombustível, tinha “algo” tão diferente dos modelos de fábrica que foi impossível não notá-lo: um terceiro eixo traseiro, adaptação que equipou o carro com mais duas rodas e, conseqüentemente, “esticou” a caçamba.

Em meio aos olhares que misturavam curiosidade e espanto, Trentini explicou que para executar a transformação foi utilizado um eixo traseiro original da montadora, bem como as duas rodas adicionais, que também freiam. “A suspensão foi mantida e, no restante, ela também é inteiramente original”, enfatizou.

Ele explicou, ainda, que a adaptação visou aumentar a capacidade de carga útil da caçamba, que no modelo original suportava exatos 735 quilos. “Com a modificação, consegui dobrar essa quantidade para cerca de uma tonelada e meia”, garante Trentini. “Para uma empresa como a nossa, que trabalha com transporte de materiais de balonismo de uma firma de móveis, é um volume ideal”, acrescenta.

Segundo o comerciante, o “mentor intelectual” da adaptação foi um engenheiro de uma concessionária, que já patenteou a idéia copiada por outras Montanas. “Iguais a essa existem mais duas no País, uma no Rio de Janeiro e outra em Sorocaba”, revelou.

As alterações das características originais da Montana, cujo processo estará completo somente após um laudo do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), que o comerciante já está aguardando, não agradaram Trentini apenas pelo fato de ter ganho espaço extra na caçamba. “Ela ficou ainda mais bonita e a dirigibilidade até melhorou”, ressaltou.

Trentini complementa que, como sempre foi usuário fiel de picapes, incomodava-se com a instabilidade traseira apresentada por alguns modelos, principalmente ao dirigir em estradas sinuosas. “Com essa já rodei 15 mil quilômetros em menos de um mês e senti que a estabilidade melhorou muito”, frisou.

Entretanto, o comerciante pondera que a adaptação também trouxe aspectos negativos, como a elevação do peso, que criou dificuldades para o desempenho do motor e aumentou o consumo de combustível. “O propulsor não é compatível, mas ele não fica muito atrás porque é forte. O gasto elevou-se um pouco e ela perdeu em velocidade, mas o volume da caçamba compensa”, argumenta.

E se você está pensando as razões que levaram Trentini a optar pelo esforço para modificar uma Montana, operação que custou cerca de R$ 18 mil, e não comprar um veículo com capacidade maior de carga, ele esclareceu que aliou a necessidade ao fato de ter um carro diferenciado dos demais.

“Há outras picapes no mercado que poderiam atender nossas pretensões, mas elas são praticamente impossíveis de se adquirir em virtude de serem muito visadas por ladrões e possuir alto custo de seguro. Nesse sentido, segurar uma Montana é muito mais barato, além de ter um automóvel que, por onde rode, desperta a atenção e todo mundo pára para olhá-lo”, finalizou.