O prefeito Nilson Costa (PTB) atendeu o apelo feito ontem pela Sociedade de Proteção Ambiental e Animal Mountarat e concedeu 15 dias, a contar a partir de segunda-feira, para a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) desocupar o canil localizado dentro do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da prefeitura, localizado no Jardim Redentor. O prazo dado anteriormente pela prefeitura, que obteve na Justiça liminar para reintegração de posse do canil, venceria na segunda-feira.
Entre cães e gatos, a Uipa mantém no canil cerca de 400 animais encontrados doentes ou abandonados. “Nesses 15 dias vamos tentar distribuir os cachorros, que não podem ficar todos juntos porque brigam, em chácaras de pessoas que estão entrando em contato com a Uipa, a Mountarat e a Naturae Vitae”, diz Maria Dolores Barbosa Gomes, vice-presidente da Uipa.
O CCZ já havia anunciado que pretende sacrificar os animais caso eles não sejam resgatados do canil pela Uipa no prazo estabelecido. Apesar das críticas das Organizações Não Governamentais (ONGs) de proteção aos animais, o órgão informou que o procedimento é amparado em leis e normas técnicas federais, estaduais e municipais.
A proposta é aproveitar os 15 dias de prazo para fazer pequenos canis - com capacidade para cinco ou seis animais - em madeirite nas chácaras dos interessados. Mas Gomes ressalta que a Uipa não vai entregar os cães e gatos a quem não tiver condições de sustentar e cuidar dos animais. “Infelizmente, a maioria das pessoas que nos procuram para adotar não tem condições de cuidar dos animais, já deixaram os seus morrerem. Para essas pessoas não vamos doar”, explica a vice-presidente da Uipa.
O novo prazo para desocupar o canil foi negociado entre Damair Pereira de Almeida, delegada da Mountarat, e Luis Freitas, chefe de Gabinete do prefeito Nilson Costa, ontem. “Eu, que já integrei a Uipa, sei da dificuldade para manter os animais e me ofereci para negociar. Expliquei para o Luis que a Uipa precisava de mais tempo”, conta Almeida.
Ela ressalta que na segunda-feira as três ONGs vão reunir-se para discutir melhor para onde levar os animais nos 15 dias. Mas além de negociar o prazo, a Mountarat e a Naturae Vitae protocolaram na prefeitura um documento no qual pedem que o CCZ não utilize o canil para abrigar cães com suspeita de leishmaniose.
O CCZ já divulgou que pretende usar o canil para isolar animais com suspeita de doenças. A administração alega que a reestruturação do prédio faz parte do convênio assinado em 2002 com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável por 80% das verbas que vêm sendo utilizadas para a ampliação do CCZ.