Em situação precária, o antigo Centro Comunitário da Vila Ipiranga vem servindo de lar para uma família de índios que foi obrigada a adotar a cidade como sua casa. São dois adultos, dois jovens e mais nove crianças entre 8 meses e 13 anos, vivendo com poucos recursos e passando necessidades.
A índia Hilda Maria conta que deixou a tribo Terena, na região de Avaí, há mais de 13 anos, porque seu casamento com um branco não foi aceito. Ela hoje tem seis filhos com Divino Barbosa, entre 4 e 13 anos. O filho mais velho de Hilda, André Luís da Silva, também vive no local com sua esposa Patrícia Garcia e três filhos, entre 8 meses e 3 anos.
No local, a construção abandonada apresenta sinais do desgaste do tempo, com o telhado quebrado e as paredes sujas. A família vive em uma barraca construída no terreno, com colchões, roupas e alguns poucos eletrodomésticos e utensílios expostos ao tempo. Nas fortes chuvas do mês de maio, grande parte das coisas da família se perdeu.
De acordo com Hilda, a família já ocupa o centro comunitário abandonado há aproximadamente um ano e três meses. “Antes, morávamos no Jardim Ferraz. Quando viemos para cá, nos prometeram um lugar no Ferradura Mirim, mas nunca mais nos procuraram. Deixaram a gente aqui abandonado. O pessoal da prefeitura nunca apareceu por aqui para dar qualquer ajuda. Uma vez só, nos procuraram para que a gente saísse daqui, mas nunca mais apareceram”, relata.
Tanto Hilda e o marido quanto o jovem casal estão desempregados. Segundo a matriarca, eles conseguem algum dinheiro recolhendo e vendendo sucata e material reciclável. “Eu saio de manhã cedo com os meninos, porque eles estudam à tarde. O que a gente consegue vender, eu compro um pouco de comida, arroz, feijão, e a vai tentando sobreviver. Gostaríamos de receber alguma ajuda ou um emprego, para trabalhar e tentar juntar dinheiro para pagar aluguel”, diz.
Patrícia afirma que também não tem perspectivas de mudar-se com o marido e os três filhos. “A gente vai onde minha sogra está. Um acaba ajudando o outro nessa situação difícil”, ressalta.
Hilda comenta que gostaria de voltar a viver na tribo, mas não seria aceita com o marido. Segundo ela, a Fundação Nacional do Índio (Funai) também não prestaria auxílio a indígenas casados com não-indígenas. À reportagem do JC, o chefe de assistência da Funai em Bauru, Mário de Camilo, afirmou conhecer o caso da família e confirmou que o principal objetivo da entidade é prestar ajuda aos aldeiados.
“Não fomos procurados por eles, mas vamos fazer uma visita para verificar a situação desta família. Não podemos deixar uma família indígena sem qualquer assistência”, comenta Camilo.
A secretária municipal do Bem-Estar Social, Rosa Maria Otuka Barbosa Pereira, também garantiu que a família será procurada por um assistente social da prefeitura. “Vamos analisar a situação dessas pessoas e tentar inseri-las nos programas da Sebes. Vamos ver se as crianças estão freqüentando escola, se precisam de creche, e também se a mãe quer participar de programas de emprego e cursos de geração de renda. Se for possível, também tentaremos encaminhá-los para um abrigo, para que eles saiam desse local”, conclui.