08 de julho de 2026
Geral

Conselho quer discutir taxa para hidrômetro obstruído

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Conselho de Usuários de Água e Esgoto de Bauru marcou reunião, na próxima quinta-feira, para discutir a decisão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de cobrar consumo de 45 mil litros de água dos imóveis onde não sejam possível fazer a leitura do hidrômetro. Aguinaldo Anastácio da Silva, presidente do órgão, quer mais informações sobre a cobrança, que vai representar R$ 97,14 para o consumidor residencial e R$ 246,19 para o consumidor comercial.

Silva, que considera alto o valor da tarifa para os imóveis em que a leitura do hidrômetro seja impossível, conta que o assunto não chegou a ser discutido pelo conselho. “Nós tínhamos acordado com o DAE que tudo relacionado a taxas e reajuste seria levado para o conselho, que iríamos trabalhar juntos. Por isso esperamos que a Nilcéia (Paes Lourenço, presidente do DAE) nos esclareça”, diz.

O DAE, conforme o JC publicou na edição de ontem, decidiu cobrar consumo de 45 mil litros de água quando não conseguir fazer a leitura com base na Resolução 5, de 31 de janeiro de 2000. De acordo com dados da autarquia, das 110 mil ligações de água existentes em Bauru, em 15% é impossível fazer a leitura por diversos fatores. Os principais são hidrômetro embaçado ou quebrado.

Agora, quando o leiturista não conseguir verificar os números do hidrômetro, deixará um aviso. O consumidor terá três dias para comparecer ao DAE com a leitura, ou se preferir poderá passá-la por telefone (0800-7710195, 3235-6159 e 3235-6160). Caso contrário, receberá a conta relativa a consumo de 45 mil litros de água. Até então, em caso de impossibilidade de leitura, era cobrado consumo mínimo de 15 mil litros.

Para a maioria dos usuários ouvidos pelo JC, a cobrança é justa, mas o valor é alto demais. Edith Possati Silva, moradora da Vila Giunta, diz nunca ter tido problemas na leitura de seu hidrômetro, que fica perto do portão. Mas é categórica quanto ao valor da taxa: “É um absurdo. O ideal seria só deixarem um aviso de que voltam em outra hora”, diz.

Ao contrário dela, uma vizinha já ficou cerca de três meses sem a leitura feita por possuir cachorros bravos. Ivana Vasconcelos de Oliveira, que mora no Jardim Estoril, também discorda do valor. Ela, que já teve a leitura impossibilitada porque o vidro do hidrômetro está fosco, defende a cobrança de uma taxa simbólica. “Acho certo. Se a pessoa não liga, não dá a mínima, tem que cobrar, mas não isso tudo”.

O hidrômetro de Alessandra Cristina da Silva, moradora no Mary Dota, não está visível aos leituristas, que dependem da presença de alguém em casa para efetuar o serviço. Para ela, que gasta em média R$ 10,00 com a conta de água e esgoto, o ideal seria o hidrômetro estar ao alcance dos funcionários do DAE. Mas como em muitos imóveis isso não é possível, ela sugere ao DAE apenas deixar um aviso.

A moradora do Parque Jaraguá, Silvana Teodoro Melo de Camargo, sugere outra alternativa à cobrança da taxa. “Por que o DAE não paga para todos terem os hidrômetros visíveis?”, brinca. “Tem gente que não pode pagar para quebrar um muro, por exemplo. Não é justo, a gente já paga tanta coisa...”, completa.

A diminuição do valor taxado também é o que defendem Rosana Aparecida dos Santos, moradora do condomínio Jardim do Sul, e Regiane Sousa Oliveira Diniz, da Vila Industrial. A reunião do Conselho de Água, da qual toda a população pode participar, está marcada para às 18h de quinta-feira na Casa dos Conselhos, que fica na rua Manoel Bento Cruz, 7-60.