09 de julho de 2026
Geral

HE faz primeira captação de córnea

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo realizou nesta semana a primeira captação de córneas para transplante. O procedimento pode tirar a região de Bauru da “lanterninha” entre as áreas do Estado de São Paulo que doam órgãos. Apenas 1% das doações paulistas vem de municípios como Bauru e Botucatu.

As duas cidades pertencem à mesma Organização de Procura de Órgão (OPO), sendo que outras nove estão espalhadas pelo Estado. As dez, entidades de caráter nacional e estadual, são responsáveis por contatar os hospitais e viabilizar os doadores. A OPO responsável por Bauru contribui só com 0,5% do total de córneas captadas em São Paulo.

Em média duas ou três córneas por mês chegam aos bancos de olhos para alívio das mais de cinco mil pessoas que aguardam cerca de dois anos na fila de espera do transplante. Na Capital, o total mensal de captações chega a 200. “A primeira do HE foi feita quarta-feira pela manhã. O tempo de enucleação (procedimento de retirada do globo ocular) é de cerca de 30 minutos”, explica a assistente social do HE, Elaine Marchis.

No final da tarde, as córneas já estavam no Banco de Olhos de Marília, que analisou e preservou o tecido. Resta sair o resultado de alguns exames para que as córneas estejam definitivamente aprovadas para transplante. “Conseguimos a enucleação na primeira abordagem. A família é bem consciente e sabe da importância da doação”, ressalta Marchis.

Foi ela quem fez o primeiro contato com parentes do homem de 51 anos que morreu no hospital. “Aceitamos prontamente. É muito gratificante (a iniciativa) porque através da doação estamos ajudando outras pessoas. Todos precisam se conscientizar”, alerta a viúva do paciente, que preferiu ficar no anonimato.

Declaração

Decisões como a dela poderiam ter ajudado Francisco Giacomini, que aguardou mais de um ano para conseguir fazer o transplante de córnea. No entanto, embora seu organismo não tenha rejeitado o tecido, a cirurgia não o ajudou a voltar a enxergar com o olho direito, atingido por uma tampa de refrigerante que se desprendeu sozinha devido à pressão da bebida.

“Por fim a córnea veio me trazer uma má notícia: uma lesão irreversível no nervo ótico. Mas a doação é muito importante. Deveria haver uma divulgação envolvendo todos os órgãos”, diz Francisco.

A falta de informação é admitida pela coordenadora da OPO responsável pela região de Bauru, a nefrologista Amélia Trindade. “Vamos intensificar as campanhas educativas. No Brasil são 58 mil pessoas na fila de transplante. Se a doação é feita em São Paulo, a primeira oferta é feita aqui (por causa das dificuldades de transporte)”, informa ela.

A condução das córneas captadas no HE até Marília é realizada pela Polícia Rodoviária Estadual, que fará a viagem até Botucatu quando o Banco de Olhos de lá começar a funcionar. O transplante pode ser feito até 15 dias após a retirada da córnea, desde que ela seja mantida num meio específico de preservação e sob refrigeração.

Já a enucleação deve ser viabilizada até seis horas após o óbito do paciente. “Alguns hospitais captam até 12 horas depois da morte, mas o ideal é até seis horas. A córnea é retirada por um oftalmologista do hospital. A captação só será feita em casos de óbitos ocorridos no próprio HE e se houver concordância da família”, acrescenta Marchis.

Até o dia 1, os parentes só serão abordados entre as 8h e às 18h. Depois dessa data, tanto o contato com a família quanto e enucleação serão realizados em período integral. Procedimento que também deve ser adotado no futuro pela equipe credenciada para fazer a retirada de córneas do Hospital de Base de Bauru.

Todo o procedimento é custeado pelo Ministério da Saúde, que não informou quantos bauruenses aguardam na fila do transplante. Também não prestou a mesma informação a Secretaria do Estado da Saúde.

• Serviço

Na próxima sexta-feira será realizada a 1ª Jornada Bauru de Transplantes dirigida para profissionais da área da saúde. O evento começa a partir das 20h na Federação Centro-Oeste Paulista das Unimeds, que fica na rua Rio Branco, 25-63.