08 de julho de 2026
Regional

Pouso Alegre tem "turismo da comida"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Visitar Pouso Alegre de Baixo, um bairro de Jaú, é uma das alternativas para quem quer esquentar o estômago e passar um domingo diferente nesse inverno. Longe dos congestionamentos de trânsito e da correria das grandes cidades, o passeio é antes de tudo uma volta ao passado com "pitadas" do mundo contemporâneo.

A entrada do bairro, bem arborizada, lembra cidades européias, com a igreja de Santa Luzia ao fundo. Senhoras e crianças sentadas na beira das portas formam um cenário bucólico e encantador. Viver em Pouso Alegre de Baixo é como morar em uma grande fazenda. Muito verde, comida "caipira" de boa qualidade e gente educada e sempre disposta a uma boa prosa.

Só um aviso colocado no mais famoso restaurante do bairro nos remete a realidade. “Estacione corretamente - sujeito á multa.” O aviso é para que os visitantes não sejam vítimas da caneta do único policial do bairro, que não admite o estacionamento de veículos prejudique o trânsito de ônibus pelas estreitas ruas.

Pouso Alegre de Baixo surgiu há 153 da construção de um rancho e uma vendinha que servia de pousada para os tropeiros. Hoje tem cerca de 600 habitantes e conserva muita tradição dos primeiros italianos que povoaram este pequeno bairro.

A mais antiga moradora nascida em Pouso Alegre ainda vive na mesma casa em que seus pais viveram. A pensionista Odete Cavinato Morateli jura que tem 84 anos mas se julgarmos pela aparência e pela lucidez não chegamos aos 60.

A mulher garante que conhece todos os moradores, com exceção daqueles que ocupam um núcleo novo inaugurado no bairro. Para ela, viver em Pouso Alegre de Baixo é como ter uma grande família. “Os mais antigos se reúnem todos os dias para conversar. Nós sentamos na porta enquanto as crianças brincam.”

Uma igreja católica, uma praça bem cuidada, um atendimento médico, uma quadra de esportes, três restaurantes, um supermercado e uma padaria suprem as necessidades dos moradores. “Quando a gente precisa de algo mais, vai para Bariri ou Jaú.”

Entre um ponto e outro de crochê, dona Odete como é chamada carinhosamente pelos moradores, ainda encontra tempo para cuidar da casa e da horta que mantém no fundo do quintal. “Eu faço todo o serviço da casa e ainda faço crochê.”

A leitoa e o frango que ‘viajam’ por sete tachos

Para os goumerts de plantão, o restaurante do Polaco, em Pouso Alegre de Baixo, é a melhor opção para o final de semana com temperaturas baixas. Leitoa e frango a passarinho, sequinhos por fora e macio por dentro, acompanhados de polenta ou batata frita, arroz com minúsculos pedaços de bacon, salada e comida caseira é o cardápio oferecido.

Quem foi quer voltar e quem não foi quer ir porque a comida é realmente muito boa. O segredo, diz o proprietário, José Roberto Manzatto, começa no corte. “O corte da leitoa e do frango é diferente. O tempero tem iguarias guardadas a sete chaves e a fritura é feita em sete tachos com temperaturas diferentes.”

O resultado não poderia ser outro, uma carne dourada por fora sem os dissabores da fritura e macia por dentro com leve sabor do tempero. O restaurante que dispensa elogios, é simples, porém aconchegante e existe há 25 anos.

Manzatto que é conhecido por polaco, apelido de seu pai José que fundou o restaurante, avisa que aos domingos serve macarronada, uma tradição da família que é descendente de italianos. “Quando meu pai fundou o restaurante, minha mãe é quem cozinhava e fazia polenta com frango e leitoa.”

Atualmente, a polenta servida é frita assim como a leitoa e o frango. “O arroz e o feijão são caseiros. Eu fico na cozinha aos domingos quando o movimento é maior.”

Polaco confessa que nunca contabilizou quantas refeições já serviu nos últimos 15 anos quando assumiu definitivamente sozinho o restaurante. “Aos domingos, no inverno, recebo cerca de 400 pessoas.” Ele avisa que foi preciso adotar as senhas para poder organizar o atendimento. “Aos domingos o atendimento é feito com senhas, porque é muita gente.”