Em carta publicada na edição desta sexta-feira (18/6), na A Tribuna do Leitor (página 2 do JC), a leitora Karina Florenzano nos faz um apelo para que não permitamos que se matem animais no contexto da leishmaniose que vem dando trabalho à Saúde do Município. “Sei que talvez esta carta nem chegue ao seu conhecimento”, diz ela para acrescentar que “tirando os animais (da Uipa) de lá não vai resolver os nossos problemas, mas sim agravar ainda mais... Peço por favor para que mantenha os animais no local”.
Querida Karina: por mais poderes que você imagina que o prefeito possa ter, quando nos defrontamos com uma situação como essa, a nossa decisão deve ser adotada diante de critérios técnicos, consultados os especialistas no assunto. Afinal, quando a vida humana também está em jogo, devemos nos cercar das melhores medidas de segurança a fim de proteger a população.
É claro que também gostamos de animais, porém não estamos falando sobre hobbies e sim de saúde pública. Continuamos buscando a proteção e preservação desses amigos domésticos até o último recurso. Quando do surgimento da doença da vaca louca, na Grã-Bretanha, há poucos anos, houve fazendas onde não ficou um único animal sem ser sacrificado. E nesse caso, não estamos tratando apenas do respeito a esses seres vivos, mas também da atividade econômica totalmente arruinada. A gripe do frango, em Taiwan, Hong Kong e outros locais. Milhões de aves abatidas, incineradas e enterradas. Resultado: hoje a população goza de saúde plena, os novos animais em criação estão sadios e a vida volta à normalidade. Isto porque recorreram à única alternativa que lhes restava. Décadas atrás, os doentes de lepra, humanos, não eram sacrificados, porém isolados em locais distantes das cidades, ilhas etc. Muitos, para as famílias, proibidos do convívio e mantidos em locais inóspitos, eram como se estivessem mortos! E a Medicina, que na época recorria a esses métodos, estava errada? Não havia outra alternativa!
Recentemente, o diretor do Zoológico de Bauru, zootecnista Luiz Pires, teve que tomar uma medida que, normalmente, entre as pessoas que amam os animais em nossa cidade, ele talvez fosse a última a adotá-la. Dois tigres fugiram da jaula e um enorme esforço foi feito para recapturá-los.
Quando a situação fugiu do controle e a vida dos funcionários do Zôo começou a correr perigo, ele autorizou o sacrifício dos animais. Foi uma atitude acertada, responsável. Nesse tipo de situação, a questão mais importante é a que deve falar mais alto!
Apenas um dia antes de sair a sua carta, a manchete de 1.ª página do JC foi: “Bauru zera casos de dengue. Saúde pública não registra doentes neste ano; no mesmo período de 2003, houve 131 notificações”. Veja que as medidas adotadas por nosso pessoal técnico foram eficientes. Não adianta quem não entende do assunto, quem não é especialista, pretender adotar a medida que não seja a mais correta.
Você sabia, Karina, que se não terminarmos dentro de um prazo acordado as obras do Centro de Controle de Zoonose, por causa da permanência dos animais da Uipa, corremos o risco de ter que devolver ao Ministério da Saúde uma verba de R$ 400 mil destinada especialmente para esse fim? Nesta sexta-feira (18/6), decidimos dar um prazo de 15 dias, a contar de segunda-feira (21/6) para que a Uipa possa retirar os animais. Veja que nas atuais condições, o prazo até que é dilatado. Agradecemos a atenção e a compreensão de todos quantos querem efetivamente solucionar esse problema, como foi o caso da dengue. (Nilson Costa - prefeito municipal)