Na avenida Nossa Senhora de Fátima há uma construção abandonada, onde moram três pessoas. Meus amigos e eu costumamos nos encontrar num bar em frente, o que nos levou a conhecê-los e a conversar com eles. Soubemos que, na busca pela sobrevivência, dois deles, um homem e uma mulher, passaram a andar sempre juntos, um ajudando o outro, e que depois de um tempo encontraram o terceiro, outro homem, que também passou a integrar o grupo. No decorrer dessa conivência, eles adotaram uma estrutura hierárquica e familiar: chamam-se mutuamente de Pai, Mãe e Filho. Mesmo que nenhum deles seja pai, mãe ou filho de alguém – eles não têm qualquer parentesco -, essa estrutura promove a organização de um dia-a-dia aparentemente “inorganizável”, dentro da mais completa carência material, com deveres, direitos e lugares preestabelecidos que funcionam de verdade na tal micro-sociedade.
É incrível! Sensacional! Muito melhor que qualquer plano ou pacote governamental já inventado. Como se explica que mesmo nas mais adversas condições de vida, pessoas simples, sem instrução e vivendo na miséria tenham criatividade e presença de espírito tamanhas? Que lancem mão de preceitos antropológicos para tentar melhorar seu padrão de vida? Digo antropológicos porque, na discussão que se seguiu às descobertas darwinistas, os cientistas começaram a procurar qual o advento, o paço humano, o momento exato em que o homem deixara de ser homnídeo (animal) e se tornara homem, homo Sapiens Sapiens, como somos nós.
Uma das teorias mais aceitas é a de que foi exatamente na proibição do incesto, quando foram reconhecidos pela primeira vez os laços familiares e hierárquicos entre os homens. E os antropólogos dizem que a proibição do incesto aconteceu na época que remete a pegadas de diferentes tamanhos encontradas na África, que indicam que por ali passaram três pessoas: o pai, a mãe e o filho. (Luís Paulo C. Domingues - RG 17115765-5)