11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bauru cresce em atividade econômica

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Embora nos últimos anos uma parcela representativa dos olhares de grandes empresas tenham se voltado para o crescimento da exploração industrial e comercial para Estados como Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, a indústria paulista se manteve em plena expansão, notadamente o Interior do Estado de São Paulo.

Para especialistas em desenvolvimento econômico, este é o momento ideal para Bauru traçar políticas claras que permitam a merecida expansão do setor industrial, além do comércio, e “fazer propaganda” do que a cidade oferece com o objetivo de atrair investimentos.

Os primeiros resultados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (Paep), referente ao ano 2001, divulgada na última semana pela Fundação Seade mostram uma queda na participação da região metropolitana de São Paulo - que inclui a Capital - no valor total da riqueza gerada pela indústria no Estado, ao passo que cidades como Bauru, Campinas, Franca e São José dos Campos ampliaram o seu peso nesse quesito.

Segundo a pesquisa - que compara dados da edição anterior da Paep, de 1996 -, a participação da Região Administrativa (RA) de Bauru (com 19 municípios) no Estado de São Paulo em 2001 passou de 1,4% para 1,6% - alta de 14,28% no índice - no que diz respeito ao valor adicionado das empresas industriais. Valor adicionado significa a diferença entre o valor bruto da produção (soma de todas as receitas da empresa) menos o consumo intermediário (soma de todos os custos e despesas).

Os dados da pesquisa mostram que, apesar do avanço do setor terciário, em todas as regiões do Estado a indústria ainda é a maior responsável pela adição de valor da economia paulista - maior do que a soma dos setores de comércio e serviços.

A pesquisa destaca, também, que o ano de 2001 não registrou intensa atividade econômica. Embora tenha havido crescimento no primeiro semestre, a partir de junho o País enfrentou a crise energética e foi obrigado a reduzir o consumo de energia elétrica. Desta forma, todas as comparações devem considerar o fato de uma base econômica próspera em 1996 e uma deprimida em 2001.

Na opinião do vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Marques Coube, os resultados de 2001 poderiam ter sido bem melhores se Bauru já tivesse uma política clara de desenvolvimento. “Mas nunca é tarde. Bauru tem uma região forte e que oferece muitas vantagens competitivas, além do fato da cidade estar privilegiadamente localizada no centro do Estado de São Paulo”, observa.

De acordo com ele, a falta dessa política e um certo descaso da administração municipal ao longo dos últimos anos podem ter barrado um percentual de crescimento ainda maior da região administrativa na distribuição do valor adicionado no Estado, já que Bauru é a cidade sede de sua RA.

Por outro lado, o vice-presidente do Ciesp avalia que a migração de capital da região metropolitana de São Paulo para outras regiões, notadamente o Interior do Estado, é inevitável.

“Por questões que envolvem meio ambiente, qualidade de vida e outros itens, uma grande empresa que decida hoje investir num parque industrial pensará em São Paulo como uma das últimas opções. Pode até preferir estar próximo da Capital, mas não dentro dela. Isso gera uma natural migração para o Interior”, observa.

Coube destaca dois momentos desse processo. O primeiro foi de ordem tributária, quando Minas Gerais e o Paraná passaram a dar isenções de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e acabaram recebendo muitos investimentos.

“Essa fase passou. Hoje, os fatores mercado, logística, qualidade de mão-de-obra entre outros falam mais alto. Este é o segundo momento da questão, em que o Interior de São Paulo torna-se alvo dos principais investimentos de empresas que iniciaram suas atividades na região metropolitana de São Paulo. Então, precisamos estar preparados para esse momento.”

Sobre o momento atual, Coube observa que o setor industrial deve dar um grande salto neste ano, na comparação com os pobres últimos anos em termos de crescimento. “O País está bastante calcado em exportação, mas a nossa região também tem uma postura exportadora forte, e tem a Eadi (estação aduaneira).” Segundo dados da diretoria regional do Ciesp, cerca de 35 indústrias de Bauru comercializam seus produtos no mercado externo.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, avalia que a tendência nos próximos cinco a dez anos na região metropolitana de São Paulo será a ampliação da prestação de serviços e do comércio.

“O setor industrial naquela região tende a migrar cada vez mais para o Interior. Para isso, nós (Bauru) já estamos muito bem preparados em alguns quesitos, como em qualidade da mão-de-obra tanto em nível técnico quanto universitário, e em infra-estrutura para atender essas empresas. Bauru é a única cidade de Interior do País que possui uma sede de retransmissão de telecomunicações, temos uma central distribuidora de energia elétrica, temos o aquífero Guarani, entre várias outras vantagens competitivas”, elenca o secretário.

Para ele, a cidade precisa investir na “marca de Bauru”. Ou seja, saber utilizar o marketing para divulgar o que a cidade e sua região oferecem de positivo e vantajoso para aumentar o seu poder de atração.

“Para se ter uma idéia, as empresas do setor alimentício de Bauru arrecadam mais em ICMS do que as de Marília, que se auto-intitula a capital nacional do alimento. Recentemente, a Yoki teve que escolher uma cidade para se instalar, mas ao invés de se juntar a esse complexo alimentício de Bauru, escolheu Marília. Isso é marketing (da cidade vizinha)”, observa Malandrino.

O economista, professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo César Cafeo ressalta a importância de a região de Bauru ter crescido em atividade econômica em 2001 mesmo sendo um ano atípico, em função do racionamento de energia elétrica.

“Bauru tem uma característica intreressante para atravessar momentos difíceis, que é o fato de não ter um único segmento que ‘carregue’ a economia local. Então, se algum ramo de atividade é afetado por uma crise nacional, por exemplo, os demais cumprem o papel de manter as coisas em equilíbrio.”