Aconteceu em Londres (Inglaterra), nos distantes idos de 1774, em uma manhã primaveril. Acidentalmente, certa criança tropeçou, rolou de uma escada e seu coraçãozinho parou imediatamente. E, de forma ignorada, até então jamais aplicada, os médicos aleatoriamente instalaram em seu tórax alguns tipos de estimulação elétrica, com os quais a menina foi ressuscitada. Simplesmente, reapareceu com sinais de vida, inclusive os movimentos dos membros e das faces. Em várias partes do mundo, pesquisadores ficaram sabendo do fato, o que levou a contribuições importantes na esfera da medicina. Contudo, não poucos anos foram necessários para que o uso do tal tipo de estimulação ganhasse adeptos suficientes para alastrar-se pelo universo, uma vez que o caminho estava aberto para a grande conquista.
E, hoje, quando tudo evoluiu em todos os sentidos, derrubando as florestas do ignorado, grande parte da humanidade já ouviu falar de um pequeno aparelho, usado atualmente em amplíssima escala, com a curiosa denominação de marcapasso artificial, o qual, alimentado por pilhas e introduzido no corpo humano, especificamente no peito, serve para manter corretamente o batimento cardíaco nos portadores de bloqueio no coração, garantindo a sobrevivência de milhões de pessoas atacadas por esse distúrbio. Marca o passo mesmo dos que ameaçam parar no meio do caminho... Compõe-se ele, basicamente, de um gerador de eletricidade, mais um sistema de cabos e, mais ainda, de eletrodos, através dos quais os estímulos elétricos são aplicados no coração, aumentando a freqüência ventricular e, conseqüentemente, o rendimento da bomba cardíaca. Podem ser instalados dentro da cavidade cardíaca (eletrodos endocardicos) ou sobre a superfície cardíaca (eletrodos epicárdicos).
Decorridos alguns dias, o paciente pode voltar à vida ativa e útil, retomando suas atividades, sem grandes excessos, o que constitui um dos muitos milagres da ciência médica, cujos primeiros esforços para controlar as batidas do coração exigiam estimulação direta e datam do século 19, evoluindo em 1952 quando se demonstrou clinicamente que se poderia ajudar o órgão parado com a aplicação da corrente elétrica através do tórax, milagre que a humanidade fica devendo à medicina inspirada por Deus. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Quando o ar se encheu de amor, suas vozes cantaram e seu canto ecoou pelos campos, subiu as montanhas e chegou ao universo”.