Em assembléia realizada simultaneamente ontem à noite em 15 cidades do Estado de São Paulo, os funcionários dos presídios decidiram suspender a greve iniciada na terça-feira passada. A categoria, que reivindica reajuste salarial de 40,80% e implantação do plano de cargos e salários, entre outros benefícios, aceitou a proposta que o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, havia feito na semana passada: apresentação de índice de reajuste em reunião marcada para hoje e envio do projeto de plano de cargos e salários à Assembléia Legislativa mediante à volta imediata ao trabalho.
Ramon Álvaro dos Anjos Souza, membro do comando de greve em Bauru, classifica a decisão da categoria como um “voto de confiança” ao governo. Mas ele avisa que a greve não foi encerrada, mas sim suspensa. “Vamos para a reunião conhecer o índice de reajuste que o governo vai nos propor. Na quarta-feira à noite faremos nova assembléia em todo Estado e, se o índice não for aceito, continuaremos a greve”, explica.
Ele acredita que dificilmente o movimento será encerrado se o governo não conceder pelo menos 20% de reajuste. Desde o início da greve, apenas 30% dos funcionários dos presídios estavam trabalhando, para garantir os serviços essenciais aos presos (saúde, alimentação e cumprimento de alvará de soltura) das quatro unidades de Bauru e duas de Pirajuí.
Com a decisão tirada em assembléia ontem à noite, hoje todos os servidores devem voltar ao trabalho. Porém, a votação pelo fim da greve foi equilibrada. Das 15 regionais do Sindicato dos Funcionários em Presídios do Estado de São Paulo, nove votaram pela suspensão da greve e seis, incluindo Bauru e Pirajuí, pela continuidade do movimento. Em Bauru são cerca de mil funcionários e em Pirajuí, 800.
Mas como já havia sido combinado antes de iniciar a paralisação, a decisão da maioria foi acatada. Com a proposta de voltar ao trabalho, o sindicato obteve da Secretaria da Administração Penitenciária o compromisso de que os dias parados não serão descontados nem haverá represália e que os demais itens da pauta de reivindicação serão discutidos posteriormente.