09 de julho de 2026
Geral

Servidores da Unesp e USP fazem audiência para explicar paralisação

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP), em parceria com outras entidades, fazem amanhã, a partir das 14h, uma audiência pública na Câmara Municipal de Bauru para discutir os problemas e reivindicações de melhorias nos serviços públicos. O encontro, organizado pela Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp) e da USP (Sintusp), também tem o objetivo de explicar à população os motivos das greves nas instituições de ensino.

De acordo com o presidente da Adunesp em Bauru, Gilberto Magalhães, o objetivo principal da audiência é mostrar e responder à população o que vem acontecendo com os serviços públicos, como a saúde e a educação. “Queremos mostrar que os governos federal, o estadual e mesmo o municipal, estão gradativamente deixando os serviços essenciais da população. Eles saem da situação do Estado do bem-estar social, que já é precário, e claramente se colocam na posição de Estado mínimo”, argumenta.

Magalhães afirma que as privatizações e a ampliação da autonomia das universidades são os principais sinais de que os serviços públicos necessitariam de uma revisão em seu papel. “Após a reforma da previdência, está na pauta a reforma universitária, que com certeza vai atingir em cheio o servidor e a população em geral”, aponta.

A diretora sindical do Sintusp em Bauru, Elaine do Amaral Godoy, observa que a reforma universitária pode provocar a desvinculação dos hospitais das instituições. “Teremos provavelmente um hospital com verbas do SUS (Sistema Único de Saúde), sem implementação de verbas vindas da universidade. Hoje, se temos pesquisas na saúde pública ou algum empreendimento maior na área, é nos hospitais universitários, mas isso vai mudar e a população será prejudicada”, ameaça.

Gino Mariano, integrante do comando de greve filiado ao Sintunesp, comenta também que a audiência deve discutir a necessidade de contratação de novos funcionários e docentes para as universidades. A redução no quadro de servidores nas instituições nos últimos anos, por conta de aposentadorias e da falta de concursos para contratação de novos funcionários, é apontada como um dos principais fatores para a queda na qualidade de ensino das universidades.

Em greve há um mês, os servidores da Unesp reivindicam 16% de reajuste salarial. Em assembléia realizada ontem, foi discutida a proposta do Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) que implantaria uma fórmula de política salarial semelhante à utilizada em 2000, porém sem qualquer reposição salarial. A reunião decidiu pela continuidade da paralisação enquanto aguarda nova proposta com índice de reposição.

A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP também permanece em greve, apenas com as clínicas realizando atendimentos de urgência e emergência. No Centrinho, a adesão à paralisação foi parcial e o atendimento aos pacientes continua sendo prestado sem comprometimento.