31 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Berçário de estrelas


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Na noite de 21 de junho, na residência do simpaticíssimo casal Paulo e Lucila Molan, houve um magnífico soirée dos alunos da grande pianista e professora Rosa Maria Tolan.

A apresentação começou com a talentosa pianista Mara Sintique, que interpretou o Estudo transcendental “Um suspiro” de Liszt, uma obra lírica de arpeggios de uma sonoridade maravilhosa, obra que exige muita técnica, força e sensibilidade do intérprete. Mara demonstrou maestria e domínio nas difíceis passagens tão típicas de Liszt que só mesmo os talentosos podem executar.

Sílvia Carvalho Molan, a jovem filha do casal Paulo e Lucila, executou a imortal peça de Chopin, Fantasia Improviso, peça tão amada de Chopin que ele se recusou a publicá-la enquanto ainda estivesse vivo, possuindo-a toda para si próprio enquanto viveu. A interpretação da jovem Sílvia foi madura, limpa e romântica, como exige essa obra prima, onde a mão esquerda executa um acompanhamento conhecido em piano como movimento contrário, pois as notas não coincidem com as notas da mão direita, resultando num cocktail de perfeita harmonia onde cada nota é indispensável para aquele efeito tão maravilhoso dessa obra imortal.

Vicente Della Tonia Jr. tocou com grande maestria o Novellette # 8 de Schumann, Shirley Escobar interpretou a Serenata interrompida de Debussy com muita graça e fluência impressionística. Marcelo Salvador interpretou a famosa Toccatta de Aaron Katchaturian com bravura e determinação, este jovem consegue tirar harmonias do piano que me lembraram dos grandes pianistas americanos Van Clibern e John Browning durante o período de suas juventudes em que eles fascinaram o mundo com suas interpretações cheias de virilidade e virtuosidade. Rodrigo Terezo interpretou um dos Intermezzo de Brahms, foi uma interpretação madura e responsável como exige o grande gênio teutônico. O Gledson da Silva brilhou na interpretação da magnífica peça do nosso grande Villa-Lobos, “Valsa da dor”. Uma grande surpresa foi Silvano Reis que tocou um tango de ouvido, o talento desse jovem é de se tirar o chapéu, as harmonias e efeitos que ele tirou do instrumento só podem ter enriquecido a peça original. Fernando Dal Medico um dos promissores violinistas da orquestra de câmara de Bauru apresentou o primeiro movimento de uma sonata de Bach para violino solo, a sua sonoridade, afinação e interpretação foram suficientes para aquecer os corações de todos os presentes. Fabiana Oliveira foi muito feliz em sua apresentação do Novellette # 1 de Schumann.

A grande surpresa da noite foi a presença do pianista bauruense Rogério dos Santos, conhecido pelo apelido “Tutti”, que em linguagem musical significa “a orquestra inteira”. Este é um nome para ser lembrado pois ele está prestes a ingressar na constelação daqueles como Arnaldo Cohen, Antonio Guedes Barbosa e Guiomar Novaes, que tanto engrandeceram e continuam levando o nome do Brasil aos grandes centros musicais do mundo. Rogério terminou seu mestrado em North Dakota, nos Estados Unidos, e agora deve ingressar no mundialmente conceituado New England Conservatoire of Music de Boston, Massachusetts. Boston é o centro cultural dos Estados Unidos, é daqui que surgem as estrelas de primeira magnitude no cenário internacional. “Tutti” nos maravilhou com uma belíssima interpretação das “Impressões Seresteiras”, obra de virtuosidade de Villa-Lobos. Rogério possui uma técnica clara, muita dinâmica e um lirismo extraordinário, ele consegue colorir e incendiar as notas musicais como se fossem pinceladas de mestre na tela ou descargas elétricas numa tempestade tropical, ele possui aquele dom maravilhoso de mergulhar na música e trazer à tona a essência musical e a sua própria alma formando a trindade do solista, instrumento e a música pura.

Junto com o Rogério veio o seu colega de mestrado, o americano Jeff Dasovick, outro nome a ser lembrado, pois também muito promete. Jeff apresentou a difícil e profunda peça de Brahms, Rapsódia # 1 opus 79. Como o próprio Brahms, Jeff é um intérprete muito sério como exige Brahms, compositor conhecido por sua preocupação com a perfeição ao ponto de se ter recusado a compor uma sinfonia até se sentir suficientemente maduro para merecer ser o terceiro “B” seguindo Bach e Beethoven.

Benedito Sampaio Guedes de Azevedo - RG 1.571.673