08 de julho de 2026
Geral

Agentes de presídios retomam greve

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Em assembléias realizadas entre anteontem à noite e ontem à tarde em 15 cidades do Interior do Estado de São Paulo, inclusive Bauru e Pirajuí, os funcionários dos presídios decidiram retomar a greve por reajuste salarial que havia sido suspensa na segunda-feira. De acordo com o sindicato da categoria, a partir de hoje, somente 30% dos servidores devem trabalhar para garantir os serviços essenciais aos presos (saúde, alimentação e cumprimento de alvarás de soltura).

A assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária informou que, a princípio, a tradicional visita aos presos no domingo está mantida. Porém, Ramon Álvaro dos Anjos Souza, membro do comando de greve em Bauru, voltou a afirmar que, com a greve, não há condições de segurança para a visitação. “Com 30% dos agentes, não tem como receber e vistoriar todas as visitas como é preciso”, diz.

Para Souza, nestas condições, a liberação da visitação é muito arriscada. “Com poucos funcionários, principalmente se os parentes dos presos forem em massa, como acreditamos que vai ocorrer, os companheiros que estarão trabalhando não terão como fazer a revista de todos. Pode ocorrer de ficar gente do lado de fora e gerar revolta dos presos ou a revista não ser feita como precisa. Tememos também pelos companheiros que estarão trabalhando”, frisa.

No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos no Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista não pretende ir à Justiça pedir a suspensão da visitação, como fez na sexta-feira passada. A entidade obteve liminar suspendendo a visitação nas penitenciárias 1 e 2 de Bauru, Centro de Detenção Provisória (CDP) e Instituto Penal Agrícola (IPA).

O governo recorreu e a liminar foi cassada no dia seguinte. As quatro unidades prisionais receberam visitas normalmente no domingo. Em três unidades prisionais, a visitação transcorreu sem incidentes. Mas na P1 foi registrada uma briga entre dois detentos e um deles saiu ferido.

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Impasse

Os funcionários dos presídios reivindicam reajuste salarial de 40,80% e implantação do plano de cargos e salários, entre outros benefícios. A categoria havia suspendido a greve atendendo uma exigência da Secretaria da Administração Penitenciária, de que somente negociaria se todos estivessem trabalhando.

Porém, a reunião na terça-feira acabou sem acordo entre as partes. Na ocasião, Nagashi Furukawa, secretário da Administração Penitenciária, reapresentou proposta feita anteriormente, de enviar o plano de carreira à Assembléia Legislativa e agendar uma nova data para a negociação do índice salarial.

Os sindicalistas esperavam que ele apresentasse um índice de reajuste. “Já demos um voto de confiança ao governo suspendendo a greve, mas ele não nos ofereceu nada”, critica Ramon Álvaros dos Anjos Souza, membro do comando de greve em Bauru.

Ontem à tarde, segundo ele, funcionários de presídios da região de Presidente Prudente e do Vale do Paraíba já haviam parado. Furukawa, através de sua assessoria de imprensa, reafirmou que está disposto a fixar um índice de reajuste salarial desde que a categoria não retome a greve.

“Enquanto estiver à frente desta secretaria não medirei esforços para alcançar resultados benéficos para os servidores e para o sistema penitenciário”, diz o secretário na nota distribuída à imprensa.