Os cinco Prontos-Socorros (PSs) de Bauru contam atualmente com cerca de 120 médicos para prestar o atendimento à população, mas a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) calcula que precisaria de pelo menos mais 20 profissionais para cuidar dos casos de urgência e emergência. A previsão, porém, é que apenas seis deles sejam contratados nos próximos meses.
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da SMS, João Sérgio Carneiro, afirma que a carência atinge principalmente os setores de pediatria e clínica geral, que trabalham com oito profissionais a menos do que o número ideal.
Segundo ele, o último concurso para a contratação de clínicos gerais teve 16 aprovados, dos quais 14 foram convocados. “Desse total, porém, apenas seis apresentaram a documentação necessária dentro do prazo. Os demais não cumpriram os requisitos exigidos, como ter feito residência médica, ou não se adaptaram aos nossos horários”, lamenta.
Para tentar atenuar o problema, Carneiro afirma que a SMS pretende, agora, convocar os dois clínicos gerais que haviam sido aprovados no concurso e que não foram chamados anteriormente.
Já em relação ao setor de pediatria, ele espera preencher metade das vagas disponíveis nos próximos dias. “Há quatro pediatras que passaram no último concurso e que dependem apenas da autorização do Gabinete para que possam ser contratados”, relata.
Carneiro estima que também precisaria contar com mais dois ortopedistas e um cirurgião no quadro de funcionários dos PSs, mas já sabe que a deficiência nesses setores se estenderá pelo menos até o final do ano, pois a lei eleitoral proíbe novas contratações a partir do início de julho.
A falta de médicos não tem sido a única dor de cabeça do diretor do Departamento de Urgência e Emergência da SMS. Ele também está preocupado com a quantidade de profissionais que solicitaram férias ou licença prêmio em julho.
Carneiro cita como exemplo o setor de pediatria. Nada menos que 14 dos 39 médicos da SMS pediram para não trabalhar no próximo mês. “Autorizamos o benefício para sete deles, mas mesmo assim vamos sentir essa falta e a população, com certeza, irá reclamar”, prevê.
A auxiliar de serviços gerais Silvana de Oliveira Cardoso não precisou esperar até julho para protestar. Após sofrer uma queda anteontem, ela se dirigiu ao PS Central, mas foi informada de que o ortopedista que deveria estar de plantão se encontrava em férias. “Cheguei lá por volta das 16h e só fui atendida às 22h”, reclama.
Depois de seis horas aguardando socorro médico, ela deixou o local com o braço imobilizado.
A carência nos quadros da SMS também tem provocado seguidos protestos do Conselho Gestor e dos usuários do PS da Vila Ipiranga. A unidade, de acordo com eles, tem contado com apenas um clínico geral durante a semana para atender a todos os casos de urgência e emergência.
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Justiça
A ausência do número ideal de médicos e de condições de trabalho nos Prontos-Socorros (PSs) de Bauru fez com que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais ingressasse, em março, com uma denúncia no Ministério Público (MP), que abriu inquérito para apurar o caso.
O Sinserm reclama da falta de médicos, equipamentos e remédios nos PSs. “A culpa disso tudo é do Poder Público, que não cumpre a sua obrigação”, critica a diretora do sindicato, Sônia Carvalho.
Ela afirma, ainda, que médicos e funcionários acabam sendo o alvo mais fácil para a insatisfação da população. “São eles que ficam na frente de batalha”, comenta.
Carvalho acredita que a falta de condições de trabalho também prejudica o desempenho dos profissionais. “Como eles têm que se desdobrar em dois ou três, acabam ficando de mau-humor e não trabalham da maneira como gostaríamos”, opina.