09 de julho de 2026
Bairros

Falta solução para animais na pista

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O problema é recorrente em Bauru durante o ano todo, mas intensifica-se no inverno. É nessa época que a população e os usuários de rodovias vêem com mais freqüência animais de grande porte em ruas, avenidas e rodovias. O agravante é que eles provocam acidentes e nem sempre os órgãos responsáveis cumprem o papel de retirá-los da via pública, mantê-los em um local seguro e cuidar para que o fato não se repita.

Nas rodovias, a Polícia Rodoviária calcula que 90% dos casos estão concentrados no perímetro urbano de Bauru. A explicação encontrada é que proprietários supostamente dispensam tratamento mais adequado aos animais.

Na zona urbana, bovinos, eqüinos e outros animais seriam mantidos em locais inadequados, muitas vezes com alimentação também inadequada. A conseqüência é que os animais fogem em busca de melhor pasto ou o próprio dono do animal solta-o na via pública para que ele busque alimento.

Em muitos casos, ele destrói plantas que encontra na área urbana ou procura as margens das rodovias, onde o mato é mais saudável que em propriedades urbanas, principalmente no inverno. Nesse período, as ocorrências que envolvem animais em rodovias dobram em quantidade.

“No inverno, o pasto começa a ficar ruim e seco para o animal. Ele vai para a pista, onde o mato é mais verde. A umidade sob o asfalto, o calor dos gases liberados pelos veículos e os deslocamentos de ar fazem com que a geada e o sereno não atinjam tanto a grama que está às margens da rodovia”, explica o capitão Daniel Correia de Godoy, comandante da 1.ª Companhia de Policiamento Rodoviário.

Ele também afirma que, na zona rural, o animal não foge tão facilmente. “No perímetro urbano, o dono amarra o animal em qualquer lugar. A corda arrebenta ou a molecada solta e ele vai para a pista. O pessoal aproveita os vazios urbanos para criar animais. Eles fazem curraizinhos na periferia”, acrescenta.

Bovinos, eqüinos e outros ganham a rodovia através de cercas cortadas pelos moradores para fazer travessia de pedestres ou pelas próprias ruas que dão acesso às pistas, tais como avenida Cruzeiro do Sul e avenida Nações Unidas.

Na maior parte das vezes, os animais são retirados da pista antes de que provoquem algum acidente. A Polícia Rodoviária deixa de fazer outros atendimentos para realizar esse serviço.

“Outros trabalhos da Polícia Rodoviária ficam prejudicados devido à grande quantidade de chamados para retirar animais da pista. Em média, são quatro por dia em Bauru”, afirma o policial.

Ainda assim, muitos animais são atropelados. De janeiro ao dia 23 de junho deste ano, nove acidentes desse gênero foram registrados somente no perímetro urbano da cidade. Em um deles, uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida. Em 90% dos acidentes, devido ao impacto, o animal morre ou tem de ser sacrificado.

No mesmo período, na área da 1.ª Companhia da Polícia Rodoviária, que abrange 41 municípios da região, foram registrados 38 acidentes sem vítima e dois com vítima.

“Se não houvesse o trabalho da Polícia Rodoviária, os acidentes seriam em bem maior quantidade porque a presença do animal na pista é diária. E praticamente dobra na estiagem”, enfatiza o capitão Godoy.

Impasse

De acordo com a Polícia Rodoviária, nem sempre a Prefeitura de Bauru, através do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), ou o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) vão ao local para retirar o animal e conduzi-lo a um local adequado.

“Temos uma certa dificuldade. Fica difícil definir quem é o órgão responsável pela apreensão do animal. Acionamos primeiro o DER. Depois, a prefeitura, se for necessário”, afirma o capitão.

Sem alternativa, os próprios policiais tocam o animal para dentro da cerca quando sabem de onde ele veio. Mas, na maioria das vezes, é difícil identificar o proprietário do animal. Principalmente quando ocorrem acidentes.

“Em acidentes, o proprietário tem de indenizar a família e o veículo. O dono do animal tem responsabilidade penal e civil. Por isso, nunca conseguimos encontrá-lo”, explica Godoy.

Quandos os órgãos competentes não solucionam o problema, cabe à Polícia Rodoviária, além de detectá-lo, tentar uma solução imediata para coibir acidentes.

“Imediatamente, é de nossa responsabilidade tirar o animal da pista. Só que muitas vezes não temos os mecanismos para isso. Falta caminhão, local para destinar o animal, etc. Mas temos de tomar uma decisão imediata para preservar as vidas dos usuários”, destaca o comandante da 1.ª Companhia.

A Polícia Rodoviária está buscando parceria com órgãos responsáveis, para identificar os criadores de animais, evitar as criações em perímetros urbanos e fiscalizar o aparecimento deles nas ruas da cidade.

Por enquanto, orienta-se aos motoristas que tenham cautela ao se aproximar dos perímetros urbanos das cidades já que é grande a possibilidade de se deparar com animais na pista. No período da noite, o cuidado deve ser redobrado porque fica mais difícil ver animais de pelagem escura.

Quando um animal for identificado na rodovia ou às margens dela, o usuário pode ligar 190 ou acionar a base mais próxima da Polícia Rodoviária. Em Bauru, o número é (14) 3232-7132.

As mesmas orientações valem para quem dirige na cidade, já que a ocorrência de bovinos, eqüinos, caprinos e outros animais soltos nas ruas também é freqüente.