O problema de animais soltos em rodovias, ruas e avenidas do perímetro urbano de Bauru não é recente. De acordo com Jaqueline Didier, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Sudeste, há anos a população e os usuários de rodovias sofrem com isso.
“Esse não é um problema de agora. Um estudo feito pelo coronel Helder Pereira em 1989 já apontava isso, inclusive vidas perdidas por esse problema. A tese parece ser de hoje. Ele já alertava o DER (Departamento de Estradas e Rodagens) e o município de que o problema era grave. Mas não se fez nada. Nada mudou. Está completamente igual”, destaca.
Preocupada com os acidentes provocados por animais de grande porte em rodovias e pela freqüência com que bovinos e eqüinos têm de ser tocados das estradas, Jaqueline protocolou na Prefeitura de Bauru, no último mês de maio, um pedido de providência sobre o assunto. “Estou solicitando à prefeitura que se sensibilize com a situação”, frisa.
Na opinião da presidente do Conseg Sudeste, a responsabilidade do que ocorre nas rodovias e vicinais de acesso é do DER. “É lei estadual. Tudo o que acontece nas rodovias é de responsabilidade do DER. Inclusive apreensão de animais”, expõe.
O problema é que, segundo Jaqueline, nem sempre o Departamento atende aos chamados. “Eles têm equipamento, caminhão, etc. Tenho a impressão de que eles acham mais barato indenizar o usuário do que manter um serviço de coleta de animais”, avalia.
Ela sugere que seja adotado em Bauru o modelo utilizado em Botucatu, em que o DER fica responsável pela retirada do animal da rodovia e a prefeitura pelo recolhimento do mesmo. “A prefeitura arca com as conseqüências de alimentar e tratar do animal”, diz.
“O DER tem dificuldade porque faz a apreensão e não tem onde colocar o animal porque eles não se estruturam”, acrescenta.
Quanto aos animais que transitam em ruas e avenidas da cidade, Jaqueline afirma que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, não aplica a lei que determina que animais soltos nas ruas devem ser apreendidos.
“É obrigação deles, mas não existe esse mecanismo em Bauru. Falta espaço, falta dinheiro. O CCZ sente-se impotente”, acrescenta Jaqueline.
Ela cita locais em que o problema é recorrente. Entre eles o Jardim Tangarás e o Núcleo Octávio Rasi. “As pessoas reclamam de boiada solta nas ruas. Além de acidentes com veículos e bois que aparecem na saída das escolas, colocando em risco as crianças. Mas isso acontece em toda a cidade. Em frente à minha casa, às vezes aparece um cavalo que pasta lixo”, conta.
Através de reivindicações de uma solução para o problema, Jaqueline conseguiu a promessa de representantes do CCZ de que os criadores de animais de grande porte na área urbana seriam identificados e notificados. “Mas como nunca houve interesse no assunto antes por parte da prefeitura, vai demorar um pouco”, acredita a presidente do conselho.
O presidente do Conseg Centro-Sul, Nelson Scarpelli Júnior, acredita que é necessário um trabalho de conscientização dos criadores de animais para que os mantenham adequadamente presos.
Já o cidadão comum, na opinião de Scarpelli, deve comunicar o policiamento de trânsito quando se deparar com animais em ruas ou avenidas, para que eles sejam recolhidos.
“Já presenciei na Nações Unidas, perto da rodovia Marechal Rondon, animais no meio da pista. É comum isso”, diz.
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Polícia Militar
Na opinião do capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM), falta fiscalização da Prefeitura de Bauru para evitar animais soltos.
Ele afirma que a PM é acionada com freqüência para solucionar casos em que eles aparecem em ruas e avenidas da cidade. prejudicando o trânsito.
A dificuldade maior é a remoção do animal. “Não existe sempre um veículo da prefeitura disponível para fazer o recolhimento do animal. Quando a prefeitura disponibiliza esse serviço, tudo bem. Mas, caso contrário, temos de espantar o animal. Já teve casos em que os policiais tiveram de amarrar os animais em cordas”, salienta.
O capitão afirma que é necessário um serviço disponível 24 horas por dia para fazer o atendimento na cidade, em casos de animais em ruas e avenidas. Após as 19h, dificilmente eles são removidos pela prefeitura.
Outro problema decorrente disso é que a PM perde muito tempo removendo animais da pista, o que caracteriza desvio de finalidade.
“Mas a pessoa não tem outra alternativa a não ser ligar 190. Infelizmente, o cidadão não tem nenhuma ferramenta para utilizar a não ser chamar a polícia. Pelo menos, nós tentamos acionar o órgão responsável”, diz.
Na opinião de Meira, a dificuldade do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão municipal, é identificar os proprietários dos animais. “O problema não é difícil de ser resolvido, mas falta boa vontade”, avalia.