30 de maio de 2026
Geral

Idosos: 66% caem dentro de casa

Rose Araujo (com Agência Notisa)
| Tempo de leitura: 4 min

Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que a maioria das quedas ocorridas com idosos (66%) acontece dentro de casa. A pesquisa, realizada com 50 pessoas de ambos os sexos, acima dos 60 anos, mostra que as mulheres são as maiores vítimas desses acidentes.

De acordo com o ortopedista João Sérgio Carneiro, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, no inverno e em dias chuvosos é mais comum registrar esse tipo de ocorrência. “Não sei se é pelo excesso de roupas, por uma tensão muscular devido ao frio, mas algo deve influenciar esse aumento de quedas nessas épocas do ano”, explica.

Para se ter uma idéia, Carneiro salienta que, na semana passada, em quatro dias foram atendidos no Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central 16 idosos que sofreram quedas. “Não dá para dizer que é uma média, mas um número que ilustra bem a realidade”, destaca.

O estudo da USP investigou a história, as causas e as conseqüências das quedas junto a 50 idosos, com idade superior a 60 anos. O resultado mostra que a maioria delas ocorre dentro de casa (66%) e com mulheres (66%), na idade média de 76 anos.

As causas mais comuns estão relacionadas ao ambiente físico (54%), tais como pisos escorregadios, atrapalhar-se com objetos no chão, trombar em outras pessoas, subir em um objeto para alcançar algo, queda da cama e problemas com degraus.

O geriatra e reumatologista Júlio Horta Filho destaca que o envelhecimento não é doença, mas provoca uma fragilidade generalizada do organismo. “A pessoa fica mais pré-disposta a sofrer esse tipo de acidente”, frisa.

Assim, escorregar no tapete, no banheiro ou tropeçar podem gerar conseqüências muito maiores do que em pessoas mais jovens. “A musculatura e as articulações sofrem um desgaste ao longo do tempo e ficam mais vulneráveis, o que aumenta o risco de queda”, completa.

Além disso, os reflexos ficam mais lentos e o consumo de medicamentos, como calmante, por exemplo, pode contribuir para a perda do equilíbrio, segundo o médico.

Conseqüências

De acordo com a pesquisa da USP, as fraturas são as conseqüências mais comuns nas quedas - ocorrem em 64% dos casos. Após a queda, alguns idosos relatam ainda o surgimento de doenças como acidente vascular cerebral (10%), osteoporose (4%), pneumonia (4%), artrite (2%), infecção de trato urinário (2%) e cardiopatia (2%). Também entram na lista problemas visuais e auditivos.

Segundo Carneiro, há alguns casos em que o osso quebra e leva o idoso ao chão. “Isso ocorre quando ele tem osteoporose e a ossatura fica mais frágil”, explica o ortopedista.

A assistente social do asilo da Vila Vicentina, Rochelle Fabiana Amaral, destaca que as quedas não resultam apenas em ferimentos físicos. “As quedas costumam ter grande impacto na vida dessas pessoas”, ressalta.

Ela diz que a vítima de um tombo pode desenvolver um certo temor de cair novamente. “Tem gente que fica com medo de voltar a andar”, ressalta.

A pesquisa realizada pela USP confirma essa tese. Os estudiosos destacam que as quedas provocam maior dependência para a realização de atividades como deitar/levantar-se, caminhar em superfície plana, cortar as unhas dos pés, tomar banho, caminhar fora de casa, cuidar das finanças, fazer compras, usar transporte coletivo e subir escadas.

Foi o que aconteceu com a dona de casa Luciana Amaral Bahia, 75 anos. Ela diz que cai com uma facilidade “impressionante” e costuma desenvolver um certo temor depois da queda. “É algo inconsciente. Eu não aceito que estou com medo, mas evito sair sozinha, pois não quero arriscar uma nova queda”, diz.

No caso dela, a maioria dos tombos ocorre fora de casa, principalmente em calçadas. “Elas são muito mal feitas e, não sei o que acontece que eu vivo tropeçando”, destaca.

O último foi há cerca de um mês. Ela tinha ido levar o esposo para fazer exames no Hospital de Base e, sem descobrir como, foi parar no chão. “Quando me dei conta, estava caída, com o joelho machucado”, conta.

Ela diz que doeu muito mas, mesmo assim, voltou para casa dirigindo. “Não tinha outro jeito, mas a dor era insuportável”, lembra.

Horta Filho destaca que, em casas com idosos, deve-se adotar alguns cuidados para banir o risco de quedas. Entre eles: iluminar bem os ambientes, principalmente à noite, quando eles costumam se levantar para ir ao banheiro; ter cuidado com tapetes pela casa; evitar deixar objetos no meio do caminho; colocar alças de sustentação no banheiro (no boxe e próximo ao vaso sanitário), entre outras coisas.

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Causas mais comuns

• Piso escorregadio 26%

• Atrapalhar-se com objetos no chão 22%

• Trombar em outras pessoas 11%

• Subir em objetos para alcançar algo 7%

• Queda da cama 7%

• Problemas com degraus 7%

Fonte: USP