09 de julho de 2026
RH & Tendências

Empresas investem na saúde e bem-estar

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

A preocupação de algumas empresas com a saúde e o bem-estar de funcionários e colaboradores vai além de um plano de saúde. Ginástica laboral, alimentação balanceada, relaxamento e fisioterapia, clubes recreativos, bolsas de estudo e até filtro solar (isso mesmo!) fazem parte dos investimentos nos recursos humanos.

Há algum tempo, empresas gigantes como Nestlé, Correios, Esso, Petrobras, Agip e McDonald’s usam uniformes feitos com tecido protegido de ação antimicrobial, de irradiação violeta e com filtro solar.

Através de uma pesquisa realizada em 2001 com apoio do grupo de pesquisas ergonômicas da Universidade de São Carlos (Ufscar), a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos desenvolveu um tênis adequado ao trabalho dos carteiros que foi testado em Bauru e adotado em todo o País.

Também em Bauru, o subsídio e o incentivo ao uso de filtro solar pelos carteiros é outro benefício que se reverteu na ausência de casos de câncer de pele nos últimos anos.

De acordo com a assessoria de imprensa, o valor do produto é pago pelos Correios após a consulta e prescrição de um dermatologista. As campanhas de conscientização são constantes e têm dado resultado.

Com quase 1.000 funcionários, a indústria gráfica Tilibra mantém um ambulatório com médico e dois enfermeiros que fazem plantão na empresa, que também oferece ginástica laboral para todos os funcionários três vezes na semana antes do início dos turnos. Além disso, os colaboradores contam com restaurante com alimentação balanceada, seguro de vida, convênio com creche e clube recreativo.

Uma biblioteca também está à disposição dos funcionários, pois a empresa tem um programa educacional que já conseguiu fazer com que todos os seus colaboradores tivessem acesso aos estudos.

“Hoje todo o nosso quadro tem o segundo grau completo e atualmente temos 70 colaboradores cursando faculdade através de bolsas universitárias que concedemos”, revela o diretor de recursos humanos André Smith Coube.

Sobre o retorno do investimento, o diretor aponta que com os salários em dia e mais uma série de benefícios, os profissionais trabalham satisfeitos, produzem mais e pensam duas vezes antes de deixar a empresa.

Com relação a acidentes, Coube aponta que a atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) fez com que o número de ocorrências diminuísse de 70 para 10 (entre acidentes leves, médios e graves) no ano.

Ginástica e relaxamento

A ginástica laboral tem sido uma prática adotada por inúmeras empresas. Em Bauru, várias organizações já contam com os resultados do serviço.

Contratada em novembro pela rede Confiança de supermercados, a fisioterapeuta Alessandra Aquilante implantou uma rotina de exercícios e terapias de relaxamento que envolvem tanto os funcionários da área administrativa, quanto os colaboradores do serviço de cestas básicas.

Para cada grupo de trabalhadores, a fisioterapeuta monta mensalmente um programa de atividades diferente, enfocando os grupos musculares mais trabalhados. Uma vez por semana, o pessoal da administração faz 20 minutos de relaxamento, com direito a música e colchonete. Encarregados e gerentes também participam semanalmente de uma sessão de quick massage com cadeira específica e pontos de shiatsu.

“Há um mês, também foi montado no ambulatório que fica na Vila Falcão uma estação de fisioterapia com equipamentos e monitores para os colaboradores que já apresentam problemas de tendinite e outras necessidades de acompanhamento. Com tudo isso reduzimos em 90% as reclamações de dor, desconforto e tensão nos braços e pescoços. É um investimento que retorna para a empresa”, explica a terapeuta.

Há três meses, a indústria de utilidades domésticas Plasútil vem desenvolvendo um projeto piloto de ginástica laboral com seus funcionários. O supervisor de recursos humanos da empresa, Jorge Luiz da Costa, explica que inicialmente a atividade envolve 100 colaboradores das áreas administrativas e de produção, que é feita durante dez minutos antes da entrada para o turno de trabalho.

“Neste período é dada uma mini-palestra e na seqüência são aplicados os exercícios. Nós ainda não finalizamos a avaliação, pois nosso período de experiência ainda não terminou. Mas já percebemos que a nossa equipe sente-se mais estimulada, tem melhorado a produção e até diminuído o número de acidentes.”

Ainda sob o aspecto de zelar pela saúde de seus funcionários a empresa oferece refeições balanceadas e gratuitas, preparadas no restaurante da própria empresa.

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Na unidade bauruense da cooperativa de trabalho médico Unimed, o programa de ginástica existe há um ano com dois professores de educação física que se revezam três vezes por semana pelos diversos setores da sede e “carregam” para a aula de 15 minutos até mesmo os usuários que se encontrarem pelo local.

Eliana Martini Tagliani, gerente de RH da empresas explica que quando o programa foi implantado as aulas eram dadas na sala de treinamento e com participação maciça dos colaboradores.

“No começo foi aquele entusiasmo, mas passados seis meses, a freqüência começou a cair e tivemos até um caso de LER (Lesão por Esforço Repetitivo), e a ginástica é justamente para prevenir essas lesões, dores nas costas. Para reverter o quadro, resolvemos dar as aulas nos locais de trabalho. O professor chega com o som, bate palma e ninguém escapa”, brinca a gerente.

Ela explica que, além de recuperar a presença e participação dos colaboradores, a empresa ganhou uma imagem bacana perante seus usuários, pois a ginástica atinge também o setor de atendimento e quem está marcando uma consulta ou solicitando um serviço também participa da atividade. “Dois funcionários ficam escalados para atender urgências e emergências, mas depois vão participar dos exercícios em outro grupo.”