A Tofer Engenharia, empreiteira que realizou a construção da ponte Ayrton Senna, interditada desde janeiro do ano passado na divisa da região do Núcleo Mary Dota com o Distrito Industrial I, informou ao Judiciário local que a obra está prestes a desmoronar. Segundo a empresa, toda a estrutura ponde tombar se não forem tomadas medidas urgentes de proteção (reconfinamento) das estruturas de fundação. Interditada deste janeiro de 2003 por apresentar rachaduras em sua estrutura, a ponte está recebendo reparos da Secretaria Municipal de Obras para ser liberada ao uso. Mas os advogados da empresa que construiu a Ayrton Senna alertaram, através de protocolo no cartório da 5ª Vara Cível do Fórum de Bauru, que as obras de recuperação estão precárias. A administração contesta as alegações.
O protocolo advertindo para o risco de desmoronamento foi feito pela Tofer no processo movido pela Prefeitura Municipal de Bauru que aciona a empreiteira para responder pelos problemas que levaram à interdição.
“Toda a infra-estrutura (vigas transversinas e de travamento das linhas de estacas) foi desconfinada (desprotegida) pelos serviços de escavação executados por máquinas e operários da prefeitura”, alega a Tofer em juízo.
A empreiteira adverte junto ao Judiciário que a recuperação nos moldes executados deixou livre a estrutura do muro de encontro da ponte que, agora, está suportada “apenas pelas estacas”. Segundo a empresa, o problema é mais grave do lado da margem do Núcleo Mary Dota. “O muro da ponte está sendo suportado de forma bastante precária pela subdimensionada e subcalculada armação hoje exposta ao limite”, opina.
Mas o secretário Municipal de Obras, José Angelo Padovan, disse, em vistoria na obra, que a tese da Tofer é improvável. “Foram tomadas providências antes de se iniciar a reconstrução que garantiram o suporte estrutural da ponte”, defende.
Segundo ele, o profissional designado pela empreiteira em juízo para acompanhar a recuperação não deve ter verificado todo o trabalho. “A pessoa talvez não tenha vistoriado com o devido cuidado. Fizemos reforço na estrutura (estacas mega) que vão até 12 metros rocha abaixo, colocadas embaixo da parede de sustentação. Essas vigas evitam que a ponte sofra qualquer colapso”, afirma o secretário.
Padovan acrescenta que os trabalhos de recuperação obedecem a projeto específico contratado pela prefeitura. “Estamos atuando dentro do que determina o projeto estrutural de recuperação”, menciona. Mas, no protocolo judicial, a Tofer Engenharia considera o serviço precário. “Os trabalhos de reforço da estrutura vêm se desenvolvendo numa lentidão incompreensível, senão mesmo irresponsável”, lançam.
Estão tramitando pela Justiça local duas ações sobre a interdição da ponte Ayrton Senna. Uma, proposta pela prefeitura contra a Tofer Engenharia, pede ressarcimento do prejuízo.
Há também uma ação popular proposta pelo vereador Toninho Garmes (PSDB), na qual figuram como réus a administração municipal, a construtora, o prefeito Nilson Costa (PTB), o engenheiro responsável pelo projeto, Osnei Torquato Ferreira, Raul Gomes Duarte (ex-secretário de Finanças), Edmilson Queiróz Dias e Antônio Carlos Duarte (ex-secretários de Obras) e Albiero Projetos e Construções Ltda, que participou da elaboração do projeto.
Na ação popular, o vereador pede a reparação dos danos gerados pela construção, a reposição dos valores utilizados na obra e todas as despesas geradas na reconstrução. O vereador acompanhou a vistoria da obra ontem, pela Secretaria de Obras. Garmes disse que vai verificar as alegações para se manifestar na ação.