08 de julho de 2026
Polícia

Ocupante de veículo roubado morre em confronto com a PM

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Durante uma troca de tiros com a Polícia Militar (PM) registrada ontem à noite no Núcleo Leão 13, Agnaldo Batista, 25 anos, foi alvejado no tórax e morreu depois de ser socorrido por uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros. Quando foi atingido, ele tentava fugir dos policiais depois de sofrer um acidente com um Santana roubado poucas horas antes, na Vila Industrial.

Por causa do delito, a PM intensificou o patrulhamento nas regiões Noroeste e Oeste e localizou o veículo. Na versão dos policiais, assim que o motorista recebeu ordem para parar, acelerou o automóvel e deu início a uma perseguição, que chegou ao fim no cruzamento das ruas João Quaggio e Primo Pegoraro.

No local, o Santana colidiu com o Fusca placa CTX 6400, que transitava pela rua João Quaggio, sentido rodovia/Centro. “Ouvi um disparo e de repente o carro rodopiou. Foi tudo muito rápido. Meu cunhado caiu para fora (do veículo) e eu e meu irmão ficamos atrás nos protegendo (dos disparos). O Santana bateu no poste (instalado num terreno baldio)”, conta o motorista do Fusca, que preferiu não se identificar.

Após o acidente, Batista teria saído do carro para escapar dos policiais e foi alvejado pela PM. Um ou dois acompanhantes teriam conseguido fugir, conta uma fonte militar. O resgate foi acionado e prestou socorro tanto ao homem baleado, quanto ao outro que se envolveu na colisão e sofreu ferimentos aparentemente leves. Batista deu entrada no Pronto-Socorro Central, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

No veículo onde ele estava, a polícia localizou um capuz e uma luva de lã preta, além de uma bolsa vazia. Os objetos localizados pela PM são indícios de que o Santana seria utilizado num assalto, informa um policial. Ele também encontrou no local um revólver calibre 38 com capacidade para cinco tiros e dois cartuchos deflagrados, furtado em 2002.

Adulteração

O Santana aparentemente não apresentava sinais de perfurações a bala. No entanto, sofreu avarias com o acidente e estava com a placa CEV 4646 adulterada. Por causa de um adesivo preto, ela parecia ser OEV ou DEV, constatou o JC. O automóvel e local da colisão foram preservados pela PM, enquanto a população (cerca de 100 pessoas) se aglomerava nas proximidades.

Todos os consultados pela reportagem negavam ter presenciado a ocorrência, que eleva para cinco a quantidade de civis mortos em confronto com a PM nos últimos 11 meses em Bauru. O último registro desta natureza foi feito no final de abril, no Jardim Primavera, na mesma região onde foi registrada a ocorrência de ontem.

Na época, um rapaz de 25 anos também foi alvejado no tórax após trocar tiros com os policiais. Na versão da PM, o homem estava em atitude suspeita dirigindo uma motocicleta que havia sido furtada 15 dias antes.

“De acordo com as estatísticas, essa é uma área problemática, que tem concentrado crimes como homicídio, roubo e apreensão de arma. Quanto maior o conflito, maior a chance o policial tem de se submeter a situações como essa”, explica um oficial, que preferiu não ter o nome divulgado.

Apesar das circunstâncias, os confrontos levaram o Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) a reforçar nos policiais a consciência de que eles devem zelar em primeiro lugar pela preservação da vida. Assim promoveu no final de abril um treinamento que reforça a utilização do tiro apenas de maneira defensiva.

Até o fechamento desta edição, a PM ainda fazia diligências para localizar os outros envolvidos na ocorrência.