08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reminiscências


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Na década de 50, na “Cidade sem limites”, uma paixão intensa pelo esporte bretão consolidou uma amizade sincera, profunda e perene entre dois adolescentes de origem humilde e que tinham o mesmo prenome registrado na certidão de nascimento. Ambos vão conquistar, como profissionais, os louros merecidos. Edinho tinha a tez clara e tornou-se Edson Fernandes dos Santos, médico e cirurgião militante em hospitais paulistanos. Dico tinha a epiderme cor de ébano. Seu nome completo era Edson Arantes do Nascimento. Contudo, ficou conhecido mundialmente como Pelé, o atleta do século 20. Na década de 60, na “Capital da Terra Branca”, as linhas dos destinos de Dico e Edinho se cruzam após um hiato temporal compelido pela azáfama de compromissos profissionais. Resolvem participar de um evento festivo noturno num clube local. Ao adentrarem o saguão do clube, Pelé foi reconhecido por todos. Já era um consagrado campeão mundial de futebol. Mas seu acesso foi obstado, sob a alegação de que pessoas de cor não poderiam participar do evento. Edinho, testemunha ocular do inesquecível incidente, relatou o ocorrido para parentes próximos. Participou desse bate-papo fraterno minha esposa, a psicóloga Maria José dos Santos Vieira, prima de Edinho em 2.º grau. Na década de 70, um famigerado cronista esportivo sugeriu, durante um programa televisionado pelo então Canal 4 (SP), que Pelé fizesse sua despedida dos gramados em Bauru. Nesta mesma ocasião, um perspicaz comentarista, em matéria publicada no Jornal da Cidade, alinhavou: “... bem se vê que esse cronista não está muito ao par das andanças do filho de Dondinho, que há séculos não aparece por aqui, nem mesmo para receber o título que a Câmara lhe concedeu...”

Gilberto Sidney Vieira - RG 3.476.358