Participei com muita alegria e satisfação do 55º aniversário de casamento de meus amigos Gabriel e Néia. O ágape foi servido em belo estilo. O ponto alto, além do casal aniversariante, é claro, foi a missa oficiada pelo Padre Fontana. Tudo impecável. Um sonho de liturgia. Uma confraternização inesquecível.
A certa altura da eucaristia, o Padre disse cantando: perdão Senhor pelos males que causei, pelas coisas que falei, pelo irmão que eu julguei.
Observem que sacrossantas palavras, que divinos ensinamentos num aniversário de cinqüenta e cinco anos de casamento para um casal que sempre deu tudo e só se entregou a Deus e ao seu sacerdócio, criando uma família cristã sob todos os aspectos: moral, cultural, espiritual e material. Uma família que por todos deveria ser imitada. E é justamente nesse lar cristalino que o Padre Fontana pede perdão pelos erro cometidos, pelas omissões, pelos males causados, pelas falas irrefletidas, pelo julgamento de um irmão sofredor.
É que a felicidade nem sempre é completa e, às vezes, cometemos deslizes sem nos apercebermos do mal que estamos causando; só o irmão sofredor sente as agulhadas e as feridas causadas por nossa irrefletida atitude.
Daí por que, sem os conhecer ou deles nos lembrarmos, precisamos pedir perdão ao Senhor pelos males irrefletidamente cometidos. Lembrou bem o Padre Fontana e a lição rendeu frutos.
Oxalá possamos, nos tempos vindouros, participar de tão auspiciosos encontros, e que o casal amigo possa, por muitos e muitos anos, continuar defrutando de tão amável convívio, distribuindo exemplos de dignidade e solidariedade humanas e respeito pela imagem do Senhor.
O autor, Itamir Crivelli, é advogado e colaborador do Ju Machado Escritório
de Arte.