08 de julho de 2026
Turismo

Olinda

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Visitar Pernambuco é lucro na certa. Comprando um único pacote ou apenas uma passagem aérea o turista pode conhecer no mínimo três lugares encantadores quase grudados com a Capital, Recife: Porto de Galinhas, a Ilha de Itamaracá e Olinda.

Cidade dos bonecos gigantes e do casario antigo de frente para o mar, Olinda foi a primeira sede da Capitania de Pernambuco.

Daquele tempo longinqüo ainda guarda vestígios, como prova sua velha Catedral da Sé, os casarões coloridos com eira ou sem beira e os mirantes mais altos da região. Mas Olinda é muito mais que prédios históricos, ruínas, igrejas e conventos. É uma cidade que tem vida e cor por conta dos inúmeros ateliês artísticos que ocupam seus casarões seculares.

Puro charme e exclamação. Aliás, como fazem questão de ditar os guias mirins que grudam nos turistas que, desavisados, chegam à cidade pela primeira vez, seu nome surgiu justamente do deslumbramento que a paisagem causou em Duarte Coelho.

Maravilhado, o donatário da Capitania de Pernambuco exclamou: “ Ó linda situação para uma vila”. Era o ano de 1535, apenas 35 anos após Cabral e toda sua caravana descobrir o Brasil - existe até hoje uma polêmica se o País foi descoberto na Bahia ou antes, em Pernambuco.

Os anos sob o comando português foram passando e a cidade progredindo. Somente quase um século depois é que lá aportaram os holandeses comandados pelo conde e depois príncipe Maurício de Nassau, que incendiaram a cidade, reconstruindo-a posteriormente para ser, junto a Recife, um pedaço da Holanda no Brasil. A Mauritztad.

Olinda dista apenas seis quilômetros de Recife. Ou seja, é a mesma coisa que Santos e Guarujá, via balsa, com a diferença do cruzar de pontes sobre os rios Capibaribe e Beberibe. Ocupa uma pequena área. Apenas 29 quilômetros quadrados, mas concentra nesse território muita gente, mais de 300 mil, incluindo artistas renomados. Alceu Valença, por exemplo, nasceu e criou-se em Olinda, onde ainda tem casa.

Dizem que o cantor e compositor é tão apaixonado por Pernambuco e especificamente por Olinda que chega ao cúmulo de dizer que tem a idade do Estado: “Eu venho das capitais hereditárias”, avisa o autor de versos primorosos como os do disco “Estação da Luz”: “Olinda tem a paz dos mosteiros da Índia, és linda. Pra mim, és ainda minha mulher”.

Pura sorte da cidade que, por conta desse e de muitos outros intelectuais, pode contar com idéias preservacionistas. Gente que se uniu e fundou há décadas a Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) reivindicando melhoramentos e a garantia de preservação de suas ladeiras, de seus casarões e de todo seu patrimônio cultural.