07 de julho de 2026
Turismo

Compras e tapioca

Eliane Barbosa (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 5 min

Um dos melhores pontos para fotos em Olinda é também especial para se comer tapiocas e beber água de coco ou a aguardante pau-do-índio, uma mistura de cachaças com ervas naturais: o Alto da Sé.

Lugar que concentra uma infinidade de ateliês. Comece seu passeio pela rua do Amparo, mais conhecida como rua dos Artistas, onde localiza-se o Museu do Mamulengo e a oficina dos bonecos gigantes, símbolo do Carnaval olidense.

Quem quiser comprar artesanato deve esticar até o Mercado da Ribeira, antigo mercado de escravos e o Eufrásio Barbosa. Nesses locais, que têm um encanto todo especial, pois conta, através de sua arquitetura boa parte de nossa história, também são realizadas apresentações folclóricas envolvendo danças em ritmo de frevo, maracatu e caboclinho, que fazem do Carnaval pernambucano único no mundo.

Outro roteiro pelo Sítio Histórico é o que começa dentro da Igreja da Sé, a segunda mais antiga do Brasil, construída no ano de 1537. Entre e aprecie a bela paisagem composta por sobrados, torres de igrejas centenárias e o mar que banha Olinda e Recife, do mirante do seu terraço lateral.

Depois, desça a Ladeira da Misericórdia. A partir dos Quatro Cantos, há duas possibilidades: dobrar à direita rumo a rua do Amparo ou dos Artistas, citada logo acima ou andar em direção à rua do São Bento.

Descendo a São Bento, depois de cruzar o mercado, encontra-se um belo casarão do século 17, sede da prefeitura e antigo paço dos governadores gerais do Brasil. Quase na esquina fica a Basílica e o Mosteiro de São Bento (1582), o segundo mosteiro beneditino no Brasil.

Se você tiver sorte e a visita a Olinda ocorrer num domingo pela manhã, poderá ouvir os padres entoando cantos gregorianos. Nem pensar se for no Carnaval, quando o agito toma conta de tudo.

Banho de mar

Não é comum os turistas procurarem as praias de Olinda para se banhar. Elas são poucas e não têm os mesmos atrativos das de Recife, de Itamaracá e de Porto de Galinhas, com seus arrecifes e mar azul-turquesa.

A melhorzinha para quem faz questão de colocar os pés na água salgada para conferir se ela é mesmo morna no trecho, é a de Casa Caiada, que fica meio distante do Centro Histórico. Já na área tombada, as opções são as praias dos Milagres, do Carmo e de Rio Doce.

Ao todo, as praias de Olinda compreendem apenas 11,26 quilômetros de litoral, distribuídas em sete pontos. Algumas são completamente inacessíveis por causa do avanço do mar na areia.

Para se ter uma idéia desse efeito, basta citar que de 1936 a 1976, o mar chegou a tomar 150 metros de praia em alguns trechos. Problema solucionado, posteriormente, com a construção de diques subterrâneos que tranqüilizaram as águas e a população.

Capital de muitos povos

O povoado de Olinda foi fundado em 1535 por Duarte Coelho Pereira, sendo elevado a vila em 12 de março de 1537. Olinda era sede da Capitania de Pernambuco, mas foi incendiada pelos holandeses que transferiram a sede para o Recife.

Em 1637 foi elevada à categoria de cidade, voltando a ser Capital de Pernambuco em 1654 quando os portugueses retomaram o poder e expulsaram os holandeses.

Em 1837, perde de vez o título de Capital para o Recife.

Além de sua beleza natural, Olinda é também uma dos mais importantes centros culturais do País.

Declarada, em 1982, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, Olinda revive o esplendor do passado todos os anos durante o Carnaval, ao som do frevo, do maracatu e outros ritmos irresistíveis.

Olinda e Recife tiveram grande importância econômica no passado, por conta dos engenhos de açúcar. No período colonial, Pernambuco tornou-se um grande produtor de açúcar e durante muitos anos foi responsável por mais da metade das exportações brasileiras.

Essa riqueza atraiu novos colonos europeus que construíram no Estado um dos mais ricos patrimônios arquitetônicos da América Colonial, como se vê ainda hoje andando pelas ruas das duas cidades.

Além dos portugueses e dos holandeses, Olinda sofreu influência africana, por conta dos navios negreiros que desembarcavam na costa pernambucana, dos engenheiros franceses, dos ingleses que dominaram sua indústria até os meados do século 20 e dos mouros, que depois de ocupar a Península Ibérica por mais de cinco séculos marcaram presença no Nordeste brasileiro.

Prova disso é o nome de Recife: “ár rasif”, descrito no dicionário Michaellis, como “rochedo ou grupo de rochedos nas proximidades da costa do mar e à flor da água”.

Segundo a jornalista Juliana Guerra, em artigo na revista “Continente Turismo”: a influência árabe está presente em quase 2 mil verbetes da língua portuguesa, nos becos do bairro de São José, no comércio ambulante do centro da cidade, nas janelas de xadrez e nos balcões mouricos dos sobrados do Largo de São Pedro e da rua do Amparo, em Olinda”.

* Fonte: Empetur

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Artesãos em todo canto

Olinda é um caso particular no mundo das artes pernambucanas. Tem a maior concentração de artistas plásticos e artesãos de todo o Brasil.

A cidade respira arte de uma forma absolutamente espontânea. É comum, numa caminhada pelas ruas e ladeiras estreitas, que o visitante se depare com artistas e artesãos produzindo suas peças ao ar livre, inspirados pela paisagem e pelo misticismo do lugar.

As técnicas são as mais variadas possíveis e vão desde pinturas, esculturas e cerâmicas às serigrafias, talhas, estamparias, batiques, xilogravuras, máscaras e bonecos gigantes.

Por isso, subir as ladeiras de Olinda é descobrir em cada passo uma cidade efervescente em termos de história e cultura.

Se não bastasse seu acervo arquitetônico e cultural, Olinda possui uma atmosfera envolvente. E é ela que contribui para que a imaginação de seus cantores, poetas e artistas plásticos voe solta.

“É um cenário perfeito com imponentes obras coloniais no topo de uma colina, convivendo harmoniosamente com o verde dos coqueirais e o azul límpido do céu que contrasta com as águas do mar”, narra Gilma, uma das mais competentes guias de turismo da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), outra apaixonada por aquele pedaço pernambucano.