09 de julho de 2026
Bairros

Bairros recebem incentivo para horta

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Sementes, mudas, orientação técnica, serviço mecanizado e implemento agrícola. Com esses instrumentos, a Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Edson Bastos Gasparini conseguiu transformar uma antiga erosão aterrada numa horta diversificada que complementa a alimentação de famílias carentes e de uma creche do bairro que atende 70 crianças.

O trabalho, antes desacreditado pela comunidade e pelo próprio poder público, tornou-se bandeira da Secretaria Municipal de Agricultura, que há três meses passou a incentivar o cultivo de hortaliças e legumes em áreas verdes da cidade ainda não urbanizadas.

“O terreno (de 400 metros quadrados) foi cedido pela prefeitura. A Secretaria deu orientação. Colhemos cenoura, alface, pimentão, alface de vários tipos, couve, etc. Já são dez canteiros com oito metros cada. Duas vezes por mês entregamos (o alimento) na creche. Estamos estudando a possibilidade de trazer as crianças aqui para conhecer”, informa o presidente da associação, Reinaldo Franco da Costa.

A iniciativa atende às expectativas do secretário municipal de Agricultura, Seiko Tokuhara, que pretende aproveitar a oportunidade para contribuir com a formação dos munícipes. “Estimulando o afeto ao meio ambiente, as pessoas podem deixar de jogar lixo nos terrenos baldios. Também queremos contribuir com a educação (infantil). Estamos visitando as associações de moradores e ninguém rejeitou (a proposta)”, conta.

De acordo com ele, o manejo da terra vai começar no Núcleo Habitacional Octávio Rasi e já foi iniciado no Núcleo Habitacional Presidente Geisel, no Parque Real e no Ferradura Mirim.

“Começamos o plantio. A idéia é envolver a comunidade”, explica o policial militar João Carlos de Souza, que está trabalhando no cultivo das sementes e das mudas no Ferradura Mirim.

Envolvimento

O projeto tem como objetivo atrair jovens, desempregados, voluntários e a terceira idade que teria acesso a uma espécie de terapia laborial, informa o secretário municipal do Meio Ambiente, Kazumi Kobayashi.

“É uma terapia (o cultivo) quando a cabeça da gente vai a mil. Eu vinha aqui pegar (verduras e legumes) e me apaixonei”, diz João Reinaldo de Souza, morador do Gasparini, atualmente desempregado. Ele passou a ajudar diariamente na horta, que contribui com as refeições de famílias como a dele, que está em dificuldade financeira.

“Por mais humilde que sejam, as pessoas têm esperança e precisam de incentivo. A vida na favela não se limita a passar fome. Essa é uma maneira de mudar o pensamento e o conceito de vida”, comenta a presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti. Ela aposta no envolvimento gradual da comunidade do bairro no cultivo da horta, que não onera o poder público municipal.

Para manter o projeto, a Secretaria Municipal de Agricultura despenderá cerca de R$ 7 mil mensais, montante aplicado na manutenção das estufas de mudas, equipamentos e máquinas, tratoristas, etc.

“O valor não significa nada (para a administração municipal), mas para a comunidade, tem muito valor. Fizemos uma parceria com o governo do Estado, que nos envia dois quites de sementes por mês. Cada um no valor de R$ 2.500,00”, informa Seiko.

Já o consumo de água do terreno e a construção de cerca no entorno da horta são de responsabilidade dos munícipes. Um rolo de 100 metros de fios de arame custa em média R$ 70,00.

A horta deve ser cultivada em área pública municipal para que as máquinas da secretaria possam entrar. Atualmente, cerca de 280 terrenos baldios destinados a praças ainda não foram urbanizados.

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Serviço

Além das 70 crianças da creche Hubert Rademarker, instalada no Núcleo Habitacional Edson Bastos Gasparini, e das seis famílias beneficiadas do bairro, outras pessoas podem pleitear verduras e legumes colhidos na horta, que fica dentro do campo de futebol “José Carlos Galvão de Moura”.

“Vamos fazer um cadastro (dos interessados). Também gostaríamos de sensibilizar novos voluntários para nos ajudar na manutenção”, informa o membro da associação Donizete de Oliveira. Quem quiser colaborar com o plantio ou cadastrar-se deve procurá-lo através do telefone (14) 3237-4556.

Já as associações de moradores de outras regiões interessadas em desenvolver hortas comunitárias devem buscar informações junto à Secretaria Municipal de Agricultura através dos telefones (14) 3236-6219 e 3236-2088.