08 de julho de 2026
Geral

Comunidade ajuda no combate ao cerol

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Empinar papagaio deixou de ser uma brincadeira inofensiva de criança para tornar-se caso de polícia. Só até maio deste ano, 71 ocorrências envolvendo pipas providas de linha com cerol (mistura de vidro moído com cola) foram registradas pela Polícia Militar (PM) em Bauru. Diante da incidência de acidentes, duas associações de moradores declararam guerra contra o cerol.

“Aqui no bairro sabemos de quatro casos só neste ano. Como nas férias escolares essa prática se intensifica, estamos fazendo um bate-papo com as crianças e adolescentes. No próximo final de semana teremos um novo encontro. No outro, os pais serão convidados”, explica o presidente da Associação de Moradores do Jardim Tangarás, Zaqueu Vieira da Silva.

Ele vai contar com a participação da Polícia Militar e de um amigo motociclista que quase morreu ao ser ferido no pescoço por linha cortante para convencer os adeptos da prática a abandoná-la. Já conseguiu convencer o filho de 10 anos, que ainda carrega uma cicatriz na mão provocada pelo cerol.

“Já esqueci (como faz a mistura de vidro e cola). Agora eu abaixo (a pipa) quando percebo que alguém vai cortá-la. Meus amigos ainda usam”, confessa Caleb Felipe da Silva.

A insistência levou o presidente da Associação de Moradores do Pousada da Esperança, Romildo Alves da Silva, a deflagrar uma campanha contra o cerol. “Estamos levantando patrocinadores para confeccionar folhetos e distribuir nas casas. Queremos orientar os adultos. Os pais devem ser os fiscalizadores”, diz.

Dicas

Os pais podem ser advertidos por qualquer pessoa que flagrar menores fazendo uso de cerol, informa o comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar, capitão Flávio Jun Kitazume. Segundo o oficial, quem preferir não se indispor também pode acionar a PM, que apreenderá a linha cortante.

“Os policiais já estão cientes do problema. Intensificamos a fiscalização por causa das férias. Recomendamos ao motociclista que diminua a velocidade ao perceber a linha. Tem de ter cautela. O ideal é que instalem (na moto) uma antena de aço como proteção”, informa o capitão.

Não abre mão do acessório o mototaxista Roberto Carlos Fagundes, que levou 40 pontos no pescoço ao ser atingido por uma linha de pipa com cerol no ano passado, quando a PM registrou 197 ocorrências dessa natureza. “Achei que ia morrer. Só vou parar de usar (a antena), quando parar de dirigir moto”, conta.

Apesar do exemplo, seu colega Claudemir Batista Rezende, ainda não adotou o dispositivo de segurança (antena anexada no guidão da moto). Ele mesmo cortou a mão por causa de uma linha com vidro e chegou a ferir superficialmente o pescoço.

“Passa o período de férias e a gente esquece. A gente vê até adulto soltando pipa com cerol”, comenta. Independentemente da idade, o tenente do Corpo de Bombeiros Ricardo Poloniato aconselha que brincadeiras com pipa se limitem a locais abertos (também distantes da rede elétrica), sem a utilização de cerol.