08 de julho de 2026
Geral

Sansei volta a Bauru depois de pesadelo no Japão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O sonho de trabalhar no Japão para guardar dinheiro e melhorar de vida no Brasil virou pesadelo para Danieli Eduarda Kanagushu Vasconcelos, 28 anos, que voltou para Bauru anteontem. Nos nove anos que passou em solo oriental, a sansei enfrentou fome e solidão. O sofrimento anuviou o brilho do retorno.

“Fiquei triste do jeito que eu voltei, tendo de pedir ajuda para o governo brasileiro e sem nada. Mesmo assim, me sinto aliviada”, conta Danieli, acolhida na casa da família com seus cinco filhos.

Repatriada e com o passaporte retido, ela deixou para trás o marido Marco Antonio, que terá de levantar quase U$ 5 mil (R$ 15.500,00) para pagar o governo brasileiro pelas passagens da mulher e dos filhos. O procedimento, considerado padrão pelo Itamaraty, é condição para que Danieli possa voltar para o Japão, onde o esposo deve continuar por dois anos.

Nesse período, ele também terá de acumular recursos para pagar o governo japonês pelos quatro meses em que ficou preso sob acusação de estelionato. “Depois de dois julgamentos, ele foi solto dia 1 de junho. Já está trabalhando”, comenta a sansei.

Marco Antonio, 34 anos, foi preso duas vezes. Da primeira vez, teria sido detido por dois dias por estar com brasileiros que se envolveram numa briga.

Alguns meses depois de ser solto, ele se aproximou de outro brasileiro que praticaria esteolinato. O envolvimento o teria levado novamente para dentro de uma cela.

Auxílio

“A empreiteira (onde ele trabalhava) queria que a gente saísse (do alojamento onde estavam), após a prisão. Não pagaram os dias trabalhados. Tive de pedir comida para os outros”, confessa. De acordo com o Itamaraty, em parceria com a comunidade brasileira, o governo ofereceu cesta básica à família, que decidiu não aceitar a proposta de moradia feita oficialmente.

“A embaixada ia me ajudar se mudássemos para uma igreja. A ajuda veio da comunidade”, reitera Danieli. Os brasileiros no Japão pagaram uma passagem e meia, confirma o Itamaraty.

“Estou aliviada (de voltar a Bauru). Fui para lá para trabalhar porque uma agência informou que teríamos emprego garantido com salário de R$ 5 mil por mês. Mas chegando (em Tóquio), nem o agenciador estava no aeroporto”, denuncia.

Depois de localizado, segundo Danieli, ele levou o casal para outras duas cidades, onde permaneceu em locais subumanos, conta. Seis meses depois, quando foram para Hamatsu, a vida parecia dar sinais de melhora, mas o pior ainda estava por vir. “Nós fomos enganados. Agora quero me adaptar (ao Brasil) e quem sabe mais para a frente voltar a trabalhar”, diz. Ela vai dividir a casa da mãe, que fica no Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva, com os filhos (quatro nascidos no Japão), o padrasto, dois irmãos e um sobrinho.

“Ainda não sei como vou sustentar todo mundo. Mas estou feliz, só falta o Marcos voltar (para completar a família)”, diz Roseli, mãe de Danieli que vai bancar a casa com a ajuda do marido.

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Alerta

Não é lícito recrutar trabalhadores mediante fraude (fazendo promessas que não serão cumpridas), informa o Ministério Público do Trabalho (MPT). Esse tipo de aliciamento pode resultar em denúncia criminal proposta pelo Ministério Público Federal. O MPT também pode entrar com uma ação civil pedindo para proibir a agência de recrutar essas pessoas sob pena de multa diária. Danieli não pretende ir adiante com a denúncia. O telefone do MPT é (14) 3212-3111.