Não é preciso ser gênio para saber que cuidar da manutenção do automóvel é providência fundamental para
que seu “possante” não lhe deixe na mão quando mais se
precisar dele. Entretanto, poucos atentam para o fato de que o excesso de zelo com o veículo também pode causar problemas e, em vez de garantir a “saúde” do carro, criar “doenças”.
Um dos componentes mais sujeitos a sofrer avarias
em virtude dos exageros é a pintura. Lavagens constantes e, principalmente, com produtos cuja composição possa ser prejudicial à carroceria são os
principais perigos.
É o que destaca Alison Flamino de Aguiar, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai). “Há produtos cujos componentes são altamente agressivos à lataria do automóvel, cujo uso deve ser evitado a todo custo para não afetar a pintura”, alerta.
Entre eles, Alison cita materiais de limpeza de uso doméstico, como sabões em pó, xampus e detergentes. Outro produto classificado pelo instrutor como “terrível” à pintura é aquele conhecido por “solupan”. “Ele tem poder de limpeza incrível. Em contrapartida, é capaz de transformar um carro vermelho em cor-de-rosa devido ao poder de sua composição”, alerta.
Por isso, o instrutor do Senai orienta que a água e o sabão neutro devem ser os preferidos para a higienização caseira do veículo. “Uma boa pedida
também são os produtos específicos para lavagem disponibilizados no mercado, como as ceras líquidas ou xampus”, ressalta Alison.
Ele recomenda atenção especial para a freqüência com
que o automóvel deve ser lavado. Segundo o instrutor, o prazo deve ser semanal, mas pode ser estendido ou diminuído. “É preciso ter bom senso para analisar as condições com que ele é utilizado, como em estradas de terra, ou se fica exposto muito tempo ao sol e à chuva. Nestes casos, os cuidados com a limpeza devem
ser maiores.
”Caso o dono opte por uma lavagem em estabelecimento
especializado, Alison frisa ser imprescindível uam
boa conversa com os proprietários a fim de descobrir os
produtos utilizados durante o serviço. “O seguro morreu
de velho”, brinca Alison.
O instrutor também chama a atenção para evitar aplicações de óleo de mamona na parte inferior ou no motor do automóvel a fim de melhorar o visual do veículo ou “esconder” rangidos e barulhos. “Ele
possui componentes altamente prejudiciais às borrachas,
acentuando seu desgaste e ressecamento”, adverte.
Já na área mecânica, Alison destaca que a lubrificação
costuma ser um dos pontos atingidos pelo excesso de
zelo dos “maníacos” pela manutenção. “Há aqueles que
antecipam as trocas de óleo pensando que o motor terá
melhor rendimento. Na realidade isso não procede, pois
tudo depende das condições de utilização do carro”, salienta Alison.
Ele acrescenta que o fato de um veículo rodar com o
óleo entre os níveis mínimo e máximo não causa nenhum
defeito. “Não há problema algum enquanto estiver nestes
intervalos. O que não pode é permanecer abaixo ou acima
dos indicadores. Não é preciso nem preocupar-se em completar, hábito comum que só gera gastos supérfluos”, esclarece o instrutor.
Segundo Alison, tais procedimentos são desnecessários
até quando o automóvel é usado freqüentemente em zonas
urbanas, locais em que o óleo é mais exigido em virtude
dos motores trabalharem muito tempo fora da temperatura
ideal por rodarem trajetos muito curtos. “A manutenção
deve obedecer os períodos estipulados pelos fabricantes
nos manuais dos proprietários”, explica.
E, ainda sobre lubrificação, o instrutor recomenda
que o óleo das transmissões também dispensa encurtamento das trocas. “Normalmente, eles são produzidos para durar entre 50 mil a 80 mil quilômetros, mas há quem os substitua anualmente. É dinheiro gasto sem precisão, pois ele é menos exigido que o do motor por não trabalhar em altas temperaturas”, conclui Alison.
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Sem exageros
Dono de um “Opalão” antigo, o bauruense Emerson
Antônio da Silva se esmera na manutenção do veículo,
por quem nutre verdadeiro “xodó” e, principalmente, ciúme.
Mas, apesar de seu carinho pelo carro, ele não comete
exageros na hora de lavá-lo ou manter a parte mecânica
em ordem. “Não fico jogando água nele toda hora, pois mesmo secando o máximo possível sempre sobra umidade, que pode tornar-se um futuro ponto de ferrugem”, afirma.
Por isso, ele o encera a cada dois ou três meses e o
lava em períodos ainda maiores: a cada cinco meses. “Conservo-o limpo através de uma capa”, explica.
“Passo, no máximo, um pano com água para tirar o pó
de vez em quando”, acrescenta. Ele também faz questão
de utilizar produtos de qualidade para mantê-lo limpo.
“Podem até ser mais caros entre os muitos existentes
no mercado, mas o custobenefício de um bom xampu
ou pretinho para os pneus compensa”, diz.