09 de julho de 2026
Política

Primeira disputa não assusta mulher

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Acostumadas a cuidar da casa e, nas últimas décadas, a ocupar espaços em todos os segmentos da sociedade, as mulheres que decidiram disputar uma vaga à Câmara Municipal nas eleições de outubro não se assustam com o que vão encontrar pela frente. Preconceito, machismo e chacotas são palavras que compõem a lista de barreiras nas quais as candidatas geralmente são enquadradas em épocas de eleições. Mas a disposição em avançar para marcar presença no mundo político fala mais alto do que as dificuldades.

Negra, 56 anos, a diretora da Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Santa Maria, Benedita Gracinda Ferreira, garante que já enfrentou situações adversas na sua vida. Para ela, disputar uma eleição pela primeira vez será uma experiência nova. Filiada ao PMDB, Gracinda afirma que está pronta para enfrentar o embate eleitoral.

“Quem trabalha desde os dez anos de idade não pode ter medo de nada. Sou negra, portanto já sofri bastante nessa vida”, conta. Ela avalia que a situação política na Câmara Municipal é bastante crítica e defende a renovação, principalmente com a eleição de mais mulheres. Atualmente, o Poder Legislativo só abriga duas vereadoras: Majô Jandreice (PCdoB) e Catarina Carvalho (PFL).

Mas a decisão de disputar uma eleição nem sempre é de caráter íntimo. O incentivo de amigos, vizinhos e colegas de trabalho acabam colaborando na hora de concretizar o projeto. Foi assim com a professora Regina Estela Vieira dos Santos, 38 anos, filiada ao PCdoB. “Lancei a idéia no partido, que aprovou, para minha surpresa. Quando saí para as ruas dizendo que seria candidata, recebi como retorno muito apoio. Isso incentiva”, diz.

Regina não acredita que o fato de disputar a eleição por um partido comunista possa assustar as pessoas. “O PCdoB tem história no País. Acima de tudo, tem muita coerência”, defende. A candidata à Câmara afirma que não vê dificuldade em assumir uma função pública. “Basta ter transparência nos seus atos e honestidade. Hoje, o que vejo na política é a defesa de interesses próprios”, critica.

Sem querer

Nem sempre participar do mundo político faz parte do projeto de vida de uma pessoa. A auxiliar de enfermagem aposentada Valdeci Leôncio de Melo Garcia – mais conhecida por Val – se filiou ao PFL após uma conversa com Dudu Ranieri, presidente da executiva municipal do partido em Bauru. “Foi engraçado porque nunca passou pela minha cabeça disputar uma eleição”, garante.

Mas ela diz que tomou gosto pela idéia. “Já lidei muito com o público. Portanto, me sinto tranqüila. Se você tem personalidade e caráter, mesmo depois de eleito é difícil mudar. Acho que chegou a hora de se iniciar uma mudança. Alguém tem que pensar diferente. Nós, mulheres, temos condições de trabalhar ao lado dos homens. O detalhe é que a mulher pensa mais com o coração”, observa.

O lado sensível feminino também é levado em consideração na hora de escolher um partido para iniciar um projeto político. A autônoma Maria Cristina Pereira Lino, 39 anos – a Tininha -, filou-se ao PV após conhecer suas propostas. “Sempre estive ligada ao PV. É uma história que começou em 1992 e não parou mais”, lembra.

Na avaliação dela, a mulher tem algumas vantagens sobre o homem quando o assunto é política. “Nós vemos as coisas com mais clareza. Se uma mulher administra uma casa – e olha que não é fácil gerenciar um lar -, por quê não uma cidade?”, desafia, mas de maneira pacífica.

A turbulência política e administrativa que assolou o município nos últimos anos gerou indignação na professora Liliana Freitas, que disputará uma vaga à Câmara Municipal pela primeira vez. Ela está filiada ao PPS. Na avaliação de Liliana, o Poder Legislativo se transformou num campo de batalha. “É preciso renovar”, defende.

Para buscar o equilíbrio na Câmara, a professora defende que as cadeiras sejam ocupadas proporcionalmente entre homens e mulheres. “É importante a força feminina na política porque, entre outras coisas, somos mais sensíveis, sem querer menosprezar o trabalho dos homens”, diz.