08 de julho de 2026
Cultura

Trabalhadores de bronze

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

A referência não foi proposital, mas é impossível olhar para as esculturas que compõem a mostra “Trabalhadores”, do artista plástico Waldemir Felício Pimentel, o Toso, sem lembrar do “Abaporu” de Tarsila do Amaral. Em exposição até o dia 17 deste mês no Serviço Social da Indústria (Sesi), as 14 peças mostram figuras humanas que - como o personagem do famoso quadro - têm os membros inferiores enormes em relação ao tronco e à cabeça, realizando diferentes trabalhos.

A semelhança dos traços chama atenção, mas só nos primeiros instantes. Os trabalhadores de Toso são peças entre 30 e 75cm que fascinam sem depender da feliz coincidência com a obra da pintora, que o escultor, por sinal, diz admirar.

É impressionante como, apesar do tamanho reduzido e das linhas alongadas, as figuras têm expressividade e movimento. Em “Pátria de Enxada”, por exemplo é possível sentir, quando se observa de perto, o cansaço do pequeno homem que leva seu instrumento de trabalho nas costas. Em “Uma Escada”, na qual a figura sobe o objeto, e um “Não Pára”, onde carrega uma engrenagem, é como se a qualquer momento a escultura fosse ganhar vida e dar continuidade à ação que Toso congelou no metal.

Cada trabalho tem o seu detalhe especial, mas as peças também têm algumas características em comum. Os pés grandes, segundo o artista, representam o apoio, o equilíbrio dos trabalhadores, que estão sempre se esforçando para executar alguma tarefa. Os modernos tênis que calçam as figuras são o toque de contemporaneidade.

As pernas, grossas, são texturizadas, num efeito que visa lembrar as cicatrizes da labuta e do tempo. Já o afunilamento no tronco até a cabeça é um sinal de fragilidade para o escultor.

A exposição é sucesso por onde passa - já esteve em dezenas de cidades do Interior paulista, além da Capital - e ganha mais integrantes a cada dia. “Não consigo mais parar”, diz um satisfeito Toso em entrevista por telefone ao JC.

O escultor conta que como as peças, de certo modo, representam profissões, sempre há uma cobrança para uma nova categoria seja representada. Com isso, a série, iniciada em 2000, já tem 40 figuras e pode ter esse número duplicado no futuro. “É um tema que eu gosto, para mim é gratificante fazer os trabalhadores”, afirma Toso.

Natural de Osasco e autodidata, Toso já ganhou prêmios em diversas mostras no Brasil e no Exterior, tendo realizado diversos projetos para monumentos e obras públicas. Seus trabalhos estão expostos permanentemente na Galeria Portal, em São Paulo e na Galeria DPalombino, em Alphaville.

• Serviço

Exposição “Trabalhadores”, com esculturas de Toso. Até 17 de julho no Sesi. De segunda a sexta-feira, das 8h às 20h e aos sábados, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 18h. Rua Rubens Arruda, 8-50. Informações: (14) 3234-1066.