26 de maio de 2026
Bairros

Cartão ganha espaço do passe de papel

Michelle Roxo (colaborou Ieda Rodrigues)
| Tempo de leitura: 4 min

Usuários de ônibus circular e empresas de Bauru estão aderindo cada vez mais ao cartão eletrônico. Cerca de 80% das vendas feitas na loja da Transurb, associação que representa as três empresas que operam no transporte coletivo de Bauru, já são em créditos no cartão, contra 20% em passes de papel.

José Antônio Jacomelli, presidente da Transurb, diz que a bilhetagem eletrônica deve crescer à medida que mais empresas façam adesão ao cartão magnético para seus funcionários, em substituição ao passe de papel. Atualmente, já são 1.055 estabelecimentos utilizando o sistema, segundo dados da assessoria de imprensa da Transurb.

A queda na circulação no número de passes de papel também é sentida no comércio informal (ambulantes e outros estabelecimentos). “Nós não temos passes para revender. Os funcionários das firmas, que vendiam a maior quantidade para gente, pararam de vender porque começaram a receber os cartões eletrônicos”, diz Éder Crepaldi, que comercializa passes no centro da cidade.

Segundo ele, antes do cartão, muitos funcionários vendiam passes para conseguir uma complementação de renda. Ou seja, não utilizavam o benefício exclusivamente para o transporte público. “Há pessoas, por exemplo, que tinham moto, vendiam os passes para colocar gasolina”, afirma.

A comerciante Mara Cristiana de Carvalho confirma a informação. “Muitos faziam dinheiro em cima desses passes e voltavam para a casa a pé para economizar”, diz.

Atualmente, para os funcionários de empresas que adotaram o cartão eletrônico, esse tipo de comércio não é mais possível e o benefício deve ser utilizado exclusivamente para o transporte.

Na avaliação do comerciante Edson Aparecido Rodrigues de Mello, apesar da falta de passes no mercado informal, a procura continua alta. Isso porque, em média, o passe nas bancas custa R$ 1,40, ou seja, R$ 0,05 mais barato do que a tarifa cobrada nos ônibus. Para quem não utiliza o sistema integração, segundo o comerciante, comprar passes no mercado paralelo tornou-se mais econômico.

“A procura ainda é grande. Além de ser mais barato, o uso do passe é mais prático”, defende o comerciante, afirmando que nem todos os usuários estão acostumados a lidar com a catraca eletrônica.

A estimativa da Transurb é de que, atualmente, ainda existam cerca de 1,4 milhão de passes em papel circulando na cidade contra 22,5 mil cartões eletrônicos. O potencial de Bauru seria de, no máximo, 60 mil cartões eletrônicos em operação.

Substituição

A substituição gradativa do passe de papel pelo cartão eletrônico já era prevista pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Ainda não há data definida, mas até o final do ano o passe de papel deve deixar de ser vendido. Além do sistema eletrônico, o usuário poderá continuar pagando as viagens com dinheiro.

O sistema de cartão, implantado no início do mês passado em Bauru, permite ao usuário tomar dois ônibus pagando tarifa única de R$ 1,90 contra R$ 1,45 do passe comum.

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Passe-integração

Por enquanto, somente 4% dos usuários dos coletivos nos dias úteis estão fazendo a integração, de acordo com dados da Transurb. Apesar do índice ainda estar distante da expectativa de integração na cidade, que é de 15% dos usuários, o presidente da associação, José Antônio Jacomelli, afirma que o resultado está dentro das expectativas. “É um bom resultado, considerando que estamos apenas com 30 dias de implantação”, avalia.

Com o objetivo de incentivar a utilização do passe-integração, uma equipe de funcionários da Transurb tem percorrido cerca de dez empresas por semana, explicando o funcionamento do sistema. “Várias empresas já sentiram o benefício economicamente. A maior vantagem é a redução de custos”, defende Jacomelli.

Segundo Luís Carlos Padoan, assistente de pessoal de uma empresa consultada pela reportagem, a adesão ao passe-integração foi positiva, já que a maioria dos funcionários utiliza dois ônibus para chegar ao trabalho. Com isso, a economia resultante da adoção do novo sistema foi de cerca de 40%. “Para as empresas que trabalham fora do Centro, como por exemplo no Distrito Industrial, o custo caiu bastante”, diz.

Na avaliação do diretor da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, há usuários que ainda não estariam utilizando o passe-integração por receio, falta de conhecimento, ou resistência cultural. “O sistema que substitui o papel é extremamente seguro. Mas ainda a parte de informática e tecnologia causam um certo receio e insegurança para as pessoas”, diz. “Tudo isso mexe com os costumes da população”, completa.