30 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Viva o marketing?


| Tempo de leitura: 3 min

É bem verdade que eu poderia ter escrito marquetim, aportuguesando a palavra inglesa, ou, até, deveria ter escrito vendas de mercado, traduzindo ao pé-da-letra o sentido lato do termo.

Isso não importa tanto, o que importa mesmo é o que o marketing - que é uma ciência - está fazendo horrores no mercado consumidor. Não fosse só pela atuação eficiente e necessária que as vendas de mercado exigem, mas também na política. A apresentação, a “venda” de um candidato que pede, suplica e implora nos bastidores marqueteiros para ser eleito e usufruir o Olimpo dos deuses está cada vez mais na ordem do dia... Impunemente!

O marketing é uma força tremenda que não pode e nem deve ser desconsiderada, pelo contrário, é a ciência do momento! Vale muito, quando é bem usada.

Bem, vai daí que me veio à cabeça que nós, o povo consumidor-eleitor, somos responsáveis pela compra dos eleitos que pululam por aí, neste Brasil de meu Deus. Ora, se compramos tudo que o marketing bem dirigido nos motiva e oferece, também seremos responsáveis pela aprovação da idéia ofertada como sendo boa e útil. Senão não a compraríamos.

Se o marketing nos motiva a comprar penicos de barro que não enferrujam, sanduíche de pitibiribes com tomate e mostarda, cerveja escolhida entre as “boas”, por que, então, não nos motivaria a votar em fulanos e sicranos despreparados e mal intencionados que deverão gerir os destinos de uma região, de um povo que, afinal, somos nós? Quanto melhor a estratégia de marketing, melhor o resultado no sentido mais ímpio e desonesto do próprio marketing. Que se danem, dizem os marqueteiros: “eu preciso mesmo é de resultados e nada mais me interessa!” É uma das facetas, sem dúvida. O marqueteiro quer mais é vender. Como em política tudo é válido, vamos levando...

Eu me sinto profundamente traído por esses marqueteiros que nos impingem verdadeiros contos do vigário calcados nos políticos que mandam na gente. Eu os comprei (ou os compraram em meu nome) e tenho que engolir democraticamente verdadeiros bagulhos, penicos de barro que não enferrujam e sanduíches de pitibiribes que estão destruindo municípios, estados e país. Provocam disenterias incontroláveis e vômitos incontidos...

Aonde vamos parar?

Para os marqueteiros, isso não interessa. Para eles o que vale é que ganham bem para vencer e vencem, ainda que nos sobre a conta para pagar. Porque quem paga a conta somos nós mesmo, a classe média. O resto que se arda (o termo não é bem esse, mas...).

Quando vejo e ouço notícias de que Nizan Guanaes, Duda Mendonça e outros que tais continuam sorrindo com os resultados já obtidos me pergunto seriamente: “O que posso fazer como cidadão para coibir que penicos de barro que não enferrujam sejam apresentados e vendidos como panelas inoxidáveis de fundo duplo da mais alta qualidade?”

As eleições estão às portas novamente e por isso é bom que você analise e veja se vai ser comprador de penico de barro ou de panela verdadeira que dura para toda a vida. E cozinha muito bem!!!

Valorize seu voto! Não compre o que não quer? Não se venda por uma camiseta que não o protege do frio, mas camufla sua necessidade enquanto for verão. Analise quem está por aí negociando seu voto como se você fosse mais um idiota de valor temporário, um mendigo que vai apenas sobreviver até a próxima necessidade. Um ser descartável após as eleições, monturo deixado ao léu.

De verdade, mas de verdade mesmo, meu irmão, você vale imensamente mais do que imagina. Pense nisso e não dê oportunidade àquele que já usou da pior maneira o seu voto. E você levou ferro impiedosamente. O apelo é muito antigo, mas ainda é verdadeiro: votar conscientemente é a sua arma maior. Não abra mão disso! Ou você ainda não aprendeu e está querendo mais? Se quiser, não me leve junto, pois para mim basta. Estou no meu limite extremo. Chega! Meu voto vale ouro e não está à venda. Ninguém poderá comprá-lo.

José Rinaldo Braga Franco - RG. 2.246.568