08 de julho de 2026
Cultura

Made in Brasil

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A black music, ou melhor, música negra brasileira, está em alta no cenário artístico nacional. Parte desse sucesso deve ser creditado ao trabalho do cantor e compositor carioca Claudio Zoli. Discípulo de Tim Maia, Cassiano e Paulinho Guitarra nos anos 70, ele ajudou a influenciar uma nova safra de cantores adeptos ao soul, entre eles Max de Castro, Jairzinho Oliveira, Luciana Mello e Paula Lima.

Vale lembrar ainda da banda Black Rio e dos cantores Sérgio Santos e Sandra de Sá - ambos lançaram esse ano discos que ressaltam o gênero: “Música Preta Brasileira” e “Áfrico”, respectivamente. “Estamos plantando hoje a semente de uma música que vai renovar o cenário brasileiro”, avisa Zoli, em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade (JC).

Zoli realiza show hoje, a partir das 22h, na Cervejaria dos Monges. O evento - que terá abertura da banda bauruense A Ligha - fecha a programação local da Turnê Tim Motorola, que em parceria com a gravadora Trama, promove uma série de 18 apresentações pelo Interior de São Paulo com Nação Zumbi e Fernanda Porto, que já tocaram na cidade.

Com 20 anos de experiência, Zoli teve a música negra como base para sua trajetória. Nascido em São Gonçalo, Rio de Janeiro, ele cresceu ouvindo ícones da black music, entre eles Marvin Gaye, Stevie Wonder e Tim Maia. Começou a tocar ainda na adolescência, na banda de Cassiano, fato que lhe rendeu a fama de “príncipe do soul brasileiro”. “Fui criado nesse berço musical, tive o privilégio de conhecer Tim Maia, conviver com Cassiano e também Paulinho Guitarra, que me apresentou tudo da black music”, conta.

Em 1982, o artista foi um dos fundadores da banda

Brylho, que no ano seguinte, estourou nas rádios com o hit “Noite do Prazer”. O grupo encerrou suas atividades três anos mais tarde e Zoli seguiu em carreira solo. Lançou três discos, e em 1993, integrou (juntamente com Ritchie e Vinícius Cantuária), o grupo Tigres de Bengala. “Fiquei um tempo viajando com essa banda e participando de discos de outros artistas, como Djavan”, diz.

Em 1999, voltou à produção musical, com o lançamento de “Férias”, álbum que trouxe pitadas de rap e rythim’n blues, e evidenciou o amadurecimento musical de Zoli, que segundo o próprio artista afirma, traz a mistura da música negra e outros ritmos. “Meu som tem a black music como elemento mais forte, mas traz outros elementos da música brasileira”, define. Isso sem esquecer do clima dançante que envolve seu atual repertório.

Com essa “receita”, Zoli conquistou o público. Seu álbum “Na Pista”, de 2001, trouxe algumas regravações de hits dos anos 80, como “Flor do Futuro” e “Linha do Equador”, e ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas. Esse repertório, inclusive, foi relançado outras duas vezes: em álbum remixado (2002) e em DVD (2003).

Também no ano passado, Zoli lançou “Sem Limite no Paraíso”, cujas faixas “Paraíso” e “Sem Limite”, foram as mais tocadas nas rádios no período de estréia do disco. As músicas de “Na Pista” e “Sem Limite...” integram o set list do show de hoje. “Será um misto de músicas conhecidas, como ‘À Francesa’, e novas canções”, destaca Zoli, que sobe ao palco juntamente com Gelson Moraes (bateria), Ricardo Brasil (percussão), Luiz Hiroshi (teclados), Fabrício Souza (baixo) e Milton Guedes (voz, sax, gaita e flauta).

• Serviço

Show de Claudio Zoli hoje, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges. Apoio: JC, 96 FM, Smirnoff Twist, Joilson’s Esquina Carioca e Saint Paul Residence. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 3234-7773.