Os funcionários da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) aderiram ontem à greve iniciada em outras cidades do Estado na semana passada. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), o movimento tem aproximadamente 80% de adesão entre as 77 unidades de privação de liberdade de todo o Estado. A unidade de Bauru está em seu limite de capacidade atualmente, abrigando 72 adolescentes infratores.
Antônio Gilberto da Silva, presidente do Sintraemfa em Bauru, afirma que a intenção dos servidores é permanecer de braços cruzados até que o governo apresente uma proposta satisfatória. “Em outras ocasiões, a Febem recorreu com efeito suspensivo no Tribunal Superior do Trabalho e a paralisação acabou. Desta vez, se não houver acordo, a greve continua por tempo indeterminado”, declara.
Os funcionários reivindicam estabilidade no emprego, reajuste salarial de 24,63% referente à defasagem de oito anos, segurança e condições de trabalho, aplicação integral do plano de cargos e salários, fim das perseguições políticas praticadas pela corregedoria da Febem e cumprimento de decisões judiciais relacionadas a benefícios, entre outras.
“Há oito anos, nosso salário era equivalente a 12 salários mínimos. Hoje, para um funcionário de nível um, o salário não chega a quatro mínimos”, observa um agente que pediu para não ser identificado.
A Febem de Bauru conta atualmente com 85 servidores. Segundo Silva, a orientação do Sintraemfa é de que permaneçam em serviço apenas os técnicos coordenadores de turno, para supervisão dos pavilhões da unidade, um agente da enfermaria e parte dos funcionários da limpeza.
Segurança
Questionado sobre a possibilidade de uma revolta ou rebelião dos internos, que permanecerão dentro da unidade praticamente sem supervisão, Silva responde que a responsabilidade sobre os adolescentes é apenas da Febem.
“A Febem usou de má-fé com os funcionários. No sábado e domingo, tivemos a boa-fé de liberar a visita, até porque entendemos que não poderíamos penalizar o adolescente ou sua família, pois nosso movimento é reivindicatório nas questões de salário e emprego. Porém, a Febem soltou uma nota dizendo que os funcionários estavam satisfeitos com a situação”, relata.
Até o ocorrido, no último final de semana, o comando de greve mantinha 30% dos funcionários trabalhando nas unidades que aderiram ao movimento, porém, Silva frisa que não há manutenção dos servidores. “Não temos mais ninguém. Se tiver uma rebelião, como ocorreu ontem (anteontem) na unidade de Raposo Tavares, o problema é da Febem. A PM teve de intervir lá e os internos destruíram tudo, mas os trabalhadores não vão entrar nas unidades”, reitera o presidente do sindicato.
A assessoria de imprensa da Febem informa que a segurança das unidades não será comprometida com a greve, visto que a guarda dos adolescentes é realizada por agentes de segurança terceirizados. O órgão informa também que a manutenção das atividades dos internos dependerá do número de agentes e coordenadores presentes em cada unidade. Caso não haja servidores para orientar as aulas e atividades, os agentes de segurança organizarão atividades esportivas, como futebol.
Além da Febem, continuam em greve em Bauru os funcionários da Justiça Estadual, professores e servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e funcionários da Universidade de São Paulo (USP).