08 de julho de 2026
Cultura

'Cine Gibi'

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje, com a estréia de “Cine Gibi - O Filme”, longa-metragem com a Turma da Mônica produzido por Mauricio de Souza, Bauru volta a ter um personagem ligado à sua história nas telas, no caso a própria Mônica, cujo traço foi criado pelo cartunista, que se inspirou na própria filha, nascida na cidade.

Antes da baixinha dentuça (como diria o Cebolinha) veio o Rei do futebol, em “Pelé Eterno”, o mais completo documentário já realizado sobre o atleta que, infelizmente ficou apenas uma semana em cartaz nas salas locais.

“Cine Gibi - O Filme” marca a volta de Mauricio às telas depois de 17 anos, quando a produtora do cartunista lançou “A Turma da Mônica em o Bicho Papão e Outras Histórias”. É um feito a se comemorar em uma época na qual a poderosa Disney (que está lançando hoje “Nem Que a Vaca Tussa”) fala em fechar as portas de seus estúdios de animação devido ao sucesso da Pixar e da DreamWorks.

O filme, dos Estúdios Mauricio de Souza Produções, Paramount International Pictures e United International Pictures – UIP, estréia nacionalmente em mais de 150 salas.

A história começa quando Franjinha, o garoto inventor dono do Bidu, resolve ler gibis de outro jeito: com os quadrinhos em movimento. E inventa um grande liqüidificador que engole gibis e projeta suas histórias nas telas dos cinemas.

Aí começa uma seqüência de histórias curtas, algumas tiradas de gibis mesmo, e, entre elas, a participação de Luciano Huck, Fernanda Lima, Wanessa Camargo e a dupla Pedro e Thiago, além do próprio Mauricio de Souza.

A intenção é agradar todos os tipos de público, das crianças mais jovens aos estrangeiros. É que, pensando em exportação, o filme deixa a possibilidade dos astros de carne e osso serem trocados por personalidades locais nos países por onde o filme eventualmente estrear. É uma proposta interessante, apesar de nem sempre funcionar na hora da exibição, já que o diálogo entre animação e vida real há muito tempo não é novidade

Para Mauricio, o retorno é algo para ser comemorado. “Adoro cinema. E quando pude, na década de 80, realizei diversos filmes. Mas o tempo era outro, com dificuldades tecnológicas, inflação, falta de controle nas bilheterias... Tive que dar uma parada. Como hoje a situação é diferente, posso voltar a fazer cinema, como gosto. Principalmente neste momento de crescimento do cinema, do número de espectadores, na valorização do cinema nacional”, afirma o cartunista no release de divulgação de “Cine Gibi”.

“Depois de um bom tempo longe da produção de filmes, estou tão ansioso quanto nossos espectadores para rever a turminha na telona. Será como que um reencontro com o escurinho do cinema e com a magia que esse momento nos traz. Principalmente agora que temos arte e tecnologia para oferecermos aos amigos da Turma da Mônica. Com tudo isso, espero que as bilheterias nos indiquem temperatura e caminhos novos”, completa.

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Filha bauruense

Mauricio de Souza havia criado o Bidu há um ano e já publicava suas tirinhas quando se mudou para Bauru, em 1960. “Eu tinha parentes aí e achava que iria ter cobertura. Comecei a trabalhar em Bauru e produzir e mandar para São Paulo. Foi aí que nasceu a minha filha Mônica... Em Bauru também criei o Horácio”, lembrou o desenhista em uma entrevista publicada em 2002 pelo Jornal da Cidade (JC).

Inspirado na filha, em 1963 Mauricio criou a personagem que iria se tornar símbolo de toda sua obra. Na edição comemorativa dos 100 anos de Bauru, publicada em agosto de 1996 pelo JC, Mônica de Souza descreve a casa onde viveu nos primeiros anos de vida e diz: “Fico orgulhosa de ter nascido numa cidade tão simpática e conhecida. E ao mesmo triste por não ter podido crescer aí”.

Mauricio mudou com a família para Mogi das Cruzes e depois para São Paulo, onde deu seqüência à sua carreira, se tornando conhecido em todo País e no Exterior.