09 de julho de 2026
Bairros

Problemas se repetem nos bairros

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Muitas ruas ou bairros de Bauru parecem apresentar problemas crônicos de vazamentos de água. Inconformados, moradores questionam o motivo pelo qual logo após um reparo realizado por equipe do Departamento de Água e Esgoto (DAE), um novo jato de água brota no asfalto ou na calçada.

Além do problema do desperdício, os vazamentos representam transtornos à população já que a cada reparo é necessário abrir buracos no asfalto (ou no solo, no caso das ruas de terra). O trânsito tem de ser interrompido naquele trecho e, geralmente, o asfalto não é reposto no mesmo dia.

Omar Barreto, morador do Altos da Cidade, reclama de um vazamento de água que sempre se repete na rua Saint Martin, na altura do Bosque da Comunidade. Na última vez, segundo ele, somente após duas semanas o DAE solucionou o problema.

“Um desperdício à toa. Tomara que, ao consertar o vazamento, o DAE não deixe estrago na calçada, como deixou outros até hoje”, reclama.

Na Vila Universitária, o problema é semelhante. De acordo com o morador Edivaldo Alves Pereira, engenheiro agrônomo, a quadra 5 da rua Albino Tâmbara, que foi recapeada no semestre passado, já está com a capa asfáltica totalmente irregular devido aos inúmeros vazamentos e, conseqüentemente, aos diversos reparos feitos pela autarquia.

“Quinze dias depois do recapeamento começaram a abrir a rua. Geralmente é o DAE o causador de problemas nas ruas. A mão-de-obra deles é bastante precária. Parece que fazem com má vontade e incompetência. E o dinheiro vai embora. É assim que o dinheiro vai embora”, enfatiza.

“O DAE estraga o pavimento da cidade. Eles abrem buraco, não reaterram adequadamente e parece que não estão preparados para o serviço”, acrescenta.

Em menos de um ano, Edivaldo afirma que houve quatro vazamentos no mesmo local, em frente à sua casa. “Volta e meia estão mexendo com esse problema e estouram o asfalto novo. Esse trecho já está todo remendado”, destaca Edivaldo.

A situação gera incômodo já que os equipamentos de reparo são posicionados em frente à casa do engenheiro e a rua fica cheia de água barrenta, que acaba sujando também a garagem da casa.

Na opinião do morador, fatos como esse indicam que o dinheiro público em muitos casos é mal aplicado. “A gente fica indignado de ver isso. De um lado, gastam para recapear. De outro, tem outro órgão público destruindo o serviço. É um desperdício”, frisa.

Edivaldo afirma que o problema não acontece somente no bairro em que mora. “Tem muito vazamento na rede de água. Sempre estamos vendo eles arrumando outras regiões da cidade”, diz.

Na opinião dele, os principais motivos de tanto vazamento são encanamento velho; material inadequado ou de qualidade inferior à ideal; ou mão-de-obra ruim.

Ruas de terra

Em bairros que não têm pavimento asfáltico, a situação se agrava em períodos de chuva, em que a água carrega parte do solo, deixando muitas vezes a tubulação em situação vulnerável.

“Em períodos de chuva, é ruim. O sofrimento é diário. Ficam buracos no meio da rua e é aquele sofrimento”, diz Vivaldo Pereira Martins, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges.

Na Pousada da Esperança, as ruas em que transitam ônibus do transporte coletivo são as mais suscetíveis a vazamentos de água, segundo Eva Pereira Brandão, vice-presidente da associação de moradores do bairro.

“A rua Sargento Carlos José Tomás, que é de terra, é crítica. Como os tubos estão bem na superfície. Qualquer chuva leva um pouco de terra e os canos. É aquele aguaceiro. É só chover para acontecer isso”, diz.

Outras ruas que também apresentam vazamentos freqüentes (de água ou esgoto) na Pousada da Esperança são a Vasco Pomper Maia, a José Azevedo Maia e ruas da parte baixa do bairro. De acordo com Eva, muitas vezes o DAE demora para fazer o serviço de reparo. “O problema é que vai terra para dentro do cano e as pessoas usam essa água”, destaca Eva.

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Água prejudica asfalto

“Água não combina com pavimento.” A informação é do engenheiro Wladimir Coelho, especialista em pavimentação asfáltica. Ele afirma que vazamentos de água podem provocar diversos problemas no asfalto da cidade.

“Um vazamento de água pode provocar mil e uma conseqüências no asfalto. Água debaixo do pavimento é um tormento. Ela faz tudo quanto é estrago que você pode imaginar”, diz.

Uma das possibilidades é o amolecimento da camada de base do asfalto. Com o tráfego intenso, o material perde resistência e provoca afundamento da superfície. “De modo geral, esse é o principal problema”, afirma.

Se a água se infiltrar entre a capa asfáltica e a base, uma camada se descola da outra e elas podem se soltar, gerando buracos.

Outra conseqüência possível é o bombeamento, que ocorre quando a água fica presa sob o asfalto. Com o tráfego de veículos, a água fica sob pressão e tende a escapar por algum lugar. “Ela foge pelas trincas do pavimento. Provoca uma erosão interna que futuramente vira ‘panela’”, explica.

Coelho frisa que, depois do tráfego, o fator que mais destrói o pavimento é a água. “Se ela entrar no pavimento, é preciso retirá-la o mais rapidamente possível. Enquanto ela ficar circulando por dentro, estará causando estragos”, enfatiza.

Segundo o engenheiro, os afundamentos de veículos no pavimento, em locais em que anteriormente não havia erosões, acontecem devido a erosões internas. “Superficialmente, não tem nada. Mas a água arrasta partículas de solo e provoca a erosão”, diz.

Outro problema detectado por Coelho são os reparos realizados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) que deixam irregularidades no pavimento.

“Infelizmente, o pessoal do DAE não faz direito o reparo. Eles não fazem a compactação adequadamente. Por isso, ou deixam um afundamento, ou deixam um caroço no asfalto”, expõe.