- Olá, tudo bem! Meu nome é Pepê, sou uma linda cachorrinha e moro na mansão da socialite Vera Loyola, aqui no Rio de Janeiro... Aliás, todo dia, ela me lembra que o Brasil é bonito por natureza, tropical e abençoado...
- Meu quarto é enorme e, embora não use, tenho à disposição dois guarda-roupas... Nunca pedi mas a minha dona colocou à minha serventia uma babá-dog para fazer minhas unhas, me dar banho e me servir três vezes ao dia rações, água francesa, sucos, carnes e arroz de primeira... O nome dela é dona Benedita e mora na favela da Rocinha. Tem três filhos... Aliás, vira e mexe ela pega parte de minhas refeições e leva para a casa para ajudar a família... Se a minha dona descobrir manda ela embora como fez com as outras empregadas... Eu fico na minha mesmo porque sou uma cachorrinha solitária e até acho que os humanos merecem comer bem...
- Duas vezes por mês, a Vera Loyola (minha dona) faz coquetéis de arromba dentro da mansão... Só vem gente chic e importante... Percebi que no meio sempre há os apóstolos da descência fingida, os ladrões de colarinho branco que sempre andam juntos com pequenos ladrões puxa-sacos, os fariseus, os hipócritas, os falsos moralistas e outros... Estes dias teve um cabeludo que bebeu demais e começou a cantarolar uma música de um grupo de rock nacional... Era assim: “Troque seu cachorro por uma criança pobre...” A minha dona quis morrer e expulsou o energúmeno da mansão... E eu fiquei em polvorosa porque, embora não tenha nada contra criança pobre, não desejo ser trocada...
- Eu adoro a minha dona... No entanto, todo cãozinho que eu paquero ela já acha que é vira-lata... Aliás, me apresentou estes dias o “Salomão”, o cãozinho da governadora Rosinha... Não gostei nem um pouco, além de chato ele só admite fazer as coisas depois do casamento... Ô, coitado!!!
- No meu último aniversário até o Romário esteve aqui... Ganhei sala de cinema, chinelinhos para cães banhado de ouro e vários brindes... Minha dona é demais e colocou dois seguranças e um carro de luxo ao meu dispor... Não dá para entender o por quê da irritação dela todas as vezes que a empregada dona Benedita pede passe de ônibus para ir embora...
- Olha, estou chegando à conclusão que vida de humano pobre não é fácil... Se tiver reencarnação, novamente quero ser cachorrinha de madame até porque andei percebendo que vida de cachorro pobre é igual a da nossa empregada... Eu, hein, Pai, afasta de mim este cálice...
- E a próxima vez que aquele cabeludo horrível vier cantar aqui na mansão aquela música que manda trocar o cachorro por criança pobre, eu vou morder ele... Até o ex-ministro Rogério Magri afirmou que cachorro também era gente... E eu concordo com ele...
- Essa foi umas das páginas do meu diário de uma cachorrinha feliz... Agora tchau... O resto é segredo...
PS: O artigo 41 do estatuto do idoso cuja lei já foi regulamentada, estabelece a reserva de 5% de vagas nos estacionamentos públicos e privados para pessoas com mais de 60 anos. A lei não está sendo cumprida em Bauru e a prefeitura, Emdurb, 5.ª Ciretran, 4.ª Companhia de Trânsito da PM e Câmara Municipal, foram alertados por mim sobre o descumprimento. Estou no aguardo das respostas.
Pedro Valentim - RG: 19.198.011-0