09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vocação para a solidariedade


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Bauru é uma cidade que já nasceu com vocação para a solidariedade. Quando outras cidades da região renegavam seus leprosos, era Bauru que os acolhia com a sociedade “Irmãos de São Lázaro”, criada pelo velho Nicola Avallone, pai do nosso antigo prefeito Nicola Avallone Jr. Isso em tempos bem remotos. Mas Bauru não parou aí e evoluiu essa irmandade dando origem ao que é hoje o grande nosocômio Lauro de Souza Lima, orgulho dos bauruenses.

E não muito tempo depois, surgiram o “Lar dos Desamparados”, hoje chamado “Vicentinos”, a “Sociedade Beneficente Cristã”, na qual o grande benemérito Sebastião Paiva, congregando senhores, hoje quase todos falecidos, como Ricieri Bresolin, Vicente Romano, Remo Giancoli, Primo Borin, Manoel Módica, começou a distribuir entre viúvas pobres e senhoras sozinhas com filhos para criar e sem renda própria, o que eles então chamavam de “farnéis”. Hoje seriam cestas básicas, das quais fui testemunha e até ajudei a empacotar e distribuir.

Um pouco depois, já nos anos 50, tivemos também a “Ala Moça do Serviço Social de Bauru”, cuja fotografia já até foi publicada no Bauru Ilustrado, que congregava senhoritas da sociedade bauruense, coordenadas pela grande dama Semíramis Mourão de Almeida, hoje minha patrona na Academia de Letras, por ser também poeta e escritora. Nossa tarefa era arrecadar, no comércio e na indústria locais, que nunca nos faltaram, o que necessitássemos para levar às crianças pobres do “Educandário Anita Costa”, que abrigava e assistia meninas e da “Casa do Garoto” (esta fundada por Nicola Avallone Jr.), que acolhia meninos e várias outras entidades assistenciais, isso sem falar nas obras do “Albergue Noturno” e do “Centro Espírita Amor e Caridade”, que já são referências nacionais em legítima e verdadeira benemerência, como todos sabem, como também são a Apae, com a Olga Bicudo e a Campanha de Combate ao Câncer, com a Lyene Berriel Cardoso e também o “Lar Escola Rafael Maurício”, com o Nilson Costa.

Trago esses fatos, muitos dos quais fui testemunha de vista e participante, para lembrar a todos que só dá certo para Bauru, quem comungue conosco esse ideal de servir, de ajudar o próximo, de assistir ao necessitado. Quem não tem vocação para a solidariedade, nem se candidate a cargo em Bauru; ou vá embora, ou procure pelo menos não ser do mal, não viver procurando o mal, nos outros, mas sim procurando fazer o bem, ou ajudando aqueles que o fazem ou procuram fazê-lo.

Isolina Bresolin Vianna - RG. 3.027.947