09 de julho de 2026
Regional

Móveis de Itapuí estão nas redes de lojas de todo Brasil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Há 27 anos atuando no mercado de móveis, a Lindolar é uma das sete fábricas de móveis da cidade de Itapuí (44 quilômetros a nordeste de Bauru). A empresa teve origem na profissão dos quatro irmãos Lanza, todos marceneiros que iniciaram reformando móveis usados. Hoje, ela tem 80 marceneiros que trabalham na produção de peças para as lojas que levam o mesmo selo e para as grande redes como Casas Bahia, Lojas Cem e J. Mafuz.

A maioria dos consumidores não sabe, mas o móveis vendidos em todo o Brasil pelas grandes redes saem da vizinha cidade de Itapuí e são confeccionados por jovens que nunca freqüentaram uma escola especializada, mas transformam a madeira reflorestada em peças de fino acabamento, próprias para decoração.

Cerca de 90% de mão-de-obra é formada na própria cidade, explica o diretor financeiro Guido Carlos Antônio Lanza. “Eles começam como aprendizes e depois assimilaram todo o serviço. Alguns entraram como boy e hoje trabalham na linha de produção.”

São duas linhas de móveis, uma popular e outra mais sofisticada, explica o diretor financeiro. “Temos uma linha voltada para lojas de decoração e shopping e outra que atende às grande redes de lojas.”

As máquinas de última geração auxiliam na produção, agilizando o trabalho e poupando tempo. “Na cidade não há escolas especializadas em marcenaria. Formamos nossa própria mão-de-obra.”

Três profissionais trabalham diariamente desenvolvendo peças diferentes das encontradas no mercado. “Temos que ter diferenciais.”

O trabalho da fábrica faz com que seus produtos viajem para todo o Brasil. “Estamos presentes em todo o Estado de São Paulo, Nordeste, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.”

O diretor frisa que para cada cliente é desenvolvido um tipo de produto. “A peça que é vendida para uma rede de lojas eu não vendo para a outra, que normalmente é sua concorrente.”

Madeira maciça

A empresa não trabalha só com madeira de reflorestamento. “Compramos madeira de Santa Catarina. Os fornecedores são autorizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.”

O empresário diz que estuda para o segundo semestre deste ano a possibilidade de exportar. “Eu já exportei, mas como minha produção atende à demanda interna, a exportação ficou para segundo plano, embora esteja nos nossos planos futuros.”

Os móveis fabricados em Itapuí são comercializados também em uma das suas seis lojas. “Temos uma loja em Itapuí, duas em Ibitinga, uma em Bauru e uma em Jaú. Só confeccionamos móveis residenciais.”

Setor Moveleiro

O setor moveleiro na cidade de Itapuí absorve mais de 1.000 pessoas fazendo com que o desemprego tenha um índice muito baixo no município. É uma das principais fontes de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a maior atração para a instalação de novas indústrias, comenta o prefeito Sylvio de Almeida Prado Rocchi.

Na opinião dele, foi a Trident, uma indústria de precisão que usa a madeira como matéria-prima, que atraiu as demais fábricas do setor moveleiro. “Ela foi a primeira a se instalar. Depois vieram as outras. Hoje, há nove fábricas na cidade, todas nascidas aqui.”

O presidente do Câmara de Dirigentes Lojistas de Itapuí, Ricardo de Barros Rizzo, compactua da mesma opinião do prefeito. “O setor moveleiro é um dos principais empregadores da cidade. Temos fábricas com mais de 200 funcionários e outras menores com 30, mas todas empregam.”

Rizzo acredita que mais de 50% da mão-de-obra disponível no município trabalham no setor moveleiro diretamente ou indiretamente. “Além dos trabalhadores das fábricas, há os caminhoneiros que fazem o transporte dos produtos aqui confeccionados.”