24 de maio de 2026
Saúde

Protetor bucal reduz riscos em 80%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Estimativas indicam que atletas que praticam esportes de contato têm entre 33% e 56% de chance de sofrer contusões orofaciais durante sua carreira. Cerca de 90% das perdas de dente ocorridos na vida de um atleta atingem os dentes da frente. O uso de protetores bucais reduz esse risco em até 80%, segundo a Academia Norte-Americana de Odontologia Esportiva.

O protetor bucal é uma peça feita de vinil, silicone ou outro material apropriado que o atleta encaixa sobre os dentes. Ao sofrer um golpe ou queda, o protetor amortece a pancada na região da boca, minimizando as conseqüências do traumatismo.

Além de proteger os dentes de fraturas ou arrancamentos, o protetor ainda previne lesões nas bochechas, língua e lábios, que poderiam ser mordidos durante a pancada.

O cirurgião-dentista Hilton Rodrigues, que faz pesquisas sobre odontologia desportiva, afirma que nos Estados Unidos e Europa, utilizar equipamentos de segurança é lei nas competições esportivas e isso vale para inúmeras modalidades.

No Brasil, a utilização de protetores é muito pequena, praticamente restrita apenas aos praticantes de boxe. “No entanto, as pesquisas mostram que o protetor deveria ser utilizado em todas as modalidades de contato, inclusive durante os treinos”, defende.

Dados norte-americanos indicam que o risco de um atleta sofrer um acidente orofacial numa única sessão esportiva é de aproximadamente 10% e isso inclui os treinos.

Um estudo realizado em 1991 (Kracht & Kaleta) mostrou que o custo de um protetor bucal varia entre US$ 2 e US$ 50, enquanto o custo do tratamento para a fratura e/ou perda de um único dente fica entre US$ 50 e US$ 300.

Opções

Segundo Rodrigues, existem três tipos de protetores bucais no mercado atualmente. O mais comum deles é o protetor pré-fabricado. Ele pode ser encontrado em três tamanhos (pequeno, médio e grande), mas com a desvantagem de não ficar perfeitamente ajustado à boca.

Outra opção são os protetores termoplásticos, também pré-fabricados, só que confeccionados com um material que, quando aquecido em água fervente, amolece. Ao ser mordido, o plástico se ajusta à boca. “Só que esse ajuste é parcial e a pessoa ainda corre o risco de sofrer queimaduras se não tiver cuidado com a temperatura”, alerta Rodrigues.

Segundo especialistas, o protetor bucal ideal é aquele confeccionado pelo dentista especialmente para aquele paciente. Depois de analisar a saúde bucal do atleta e a modalidade esportiva praticada, ele tira um molde da arcada do paciente e confecciona uma prótese fielmente ajustada àquele esportista.

“Além de ser mais higiênico - porque o protetor só vai servir em você -, é melhor para o desempenho do atleta. Porque um protetor mal ajustado vai interferir na fala, na respiração e na tensão muscular do esportista (que morde permanentemente o protetor para não sair do lugar)”, observa Rodrigues.

A durabilidade de um protetor bucal é, em média, de um ano. Para melhor conservação, ele deve ser escovado com creme dental e enxaguado em água corrente e fria antes e após cada utilização. A prótese deve ser guardada em caixas especiais (fornecidas pelo dentista ou fabricante).

Além disso, recomenda-se observar regularmente sua correta adaptação à boca, principalmente em caso de crianças e adolescentes, cujo desenvolvimento pode alterar o formato da arcada dentária. A mesma orientação vale para atletas que sofreram alterações importantes no peso corporal.