08 de julho de 2026
Saúde

Osteoporose: cimento ósseo reduz danos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Injetar um tipo especial de cimento nas vértebras para fortalecê-las e minimizar as lesões causadas pela osteoporose. Este é o objetivo de uma técnica que chegou ao Brasil há cerca de três anos e está sendo utilizada em alguns casos para substituir as cirurgias convencionais de coluna. Trata-se da vertebroplastia percutânea.

O médico neurocirurgião Jader Pacheco Rabello, de São Paulo, explica que, com o auxílio de um aparelho de raio-X, uma agulha especial é introduzida no ponto específico onde se deseja reforçar a vértebra.

“O cimento ósseo é uma mistura de pó com líquido que endurece em poucos minutos. Quando você injeta, a substância endurece e reforça aquela vértebra que está fraca ou fraturada”, descreve.

Rabello informa que a vertebroplastia percutânea foi desenvolvida na França no final da década de 80. Mas só em meados da década de 90, quando a agência que regulamente remédios e alimentos nos Estados Unidos (FDA) aprovou o procedimento é que ele começou a ser difundido mundialmente. No Brasil, é uma intervenção relativamente nova, com cerca de três anos de utilização.

A vertebroplastia percutânea tem sido usada para tratar fraturas e achatamentos da coluna vertebral causados pela osteoporose - doença que deixa os ossos porosos e fracos.

O médico explica que, na cirurgia convencional, quando o paciente apresenta uma fratura em uma vértebra, a opção cirúrgica é juntar a vértebra lesada com a de cima e a de baixo, de modo que as três funcionem como uma só.

“Mas se o paciente já tem todas as vértebras porosas, fracas, e você tenta juntá-las, o resultado pode ser um desastre. A grande vantagem do cimento é que você reforça a vértebra lesada. Depois, se a vértebra de cima enfraquece, você reforça também e assim por diante”, compara.

Outra vantagem do procedimento, segundo o neurocirurgião, é a redução de riscos. A vertebroplastia percutânea dura entre 30 e 60 minutos, é realizada com anestesia local e sedação leve e o paciente recebe alta 24 horas depois. O paciente sai andando do hospital e livre das dores.

Indicações e riscos

De acordo com Rabello, a intervenção só tem sido indicada para pacientes com osteoporose que estão sofrendo pelas dores de fraturas ou achatamentos na coluna. Ele afirma que a técnica não apresenta contra-indicações formais, a não ser aquelas inerentes a todo procedimento cirúrgico, como condição cardíaca, pressão arterial, tempo de coagulação sangüínea, entre outros.

Questionado sobre os riscos, o neurocirurgião informa que o índice de complicações é menor que 10% em mãos experientes.

“A única recomendação é não fazer mais que três aplicações por procedimento. Os ossos têm canais que se comunicam com as veias e o sangue pode levar resíduos do cimento para o pulmão. Em pequena quantidade, isso não oferece riscos, mas uma quantidade maior pode causar embolia pulmonar. Então, se for necessário intervir em mais de três vértebras, dividimos o tratamento em duas ou mais intervenções”, esclarece.

A dona de casa Wiltrud Schneider Jonas, 69 anos, foi uma das primeiras pacientes de Rabello a fazer a vertebroplastia. Ela conta que já sofria de osteoporose. Sofreu uma queda e apresentou achatamento da coluna.

“Fiquei um tempo de repouso, depois o doutor decidiu infiltrar o cimento para impedir a progressão do achatamento. Ainda tenho dores de vez em quando, mas aliviou bastante e eu estou andando normalmente”, pondera.