09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inadimplência cresce 54% neste ano

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O número de pessoas que entraram na lista de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) neste ano superou em 54,46% o total registrado no primeiro semestre do ano passado. Seguindo a mesma tendência, as consultas feitas à entidade pelos comerciantes também aumentaram na casa de 20,43%, o que indica um aquecimento nas vendas nos primeiros seis meses deste ano.

A pesquisa feita pelo SPC mostra ainda que 46,71% das pessoas que estavam inadimplentes conseguiram limpar o seu nome, ou seja, quitaram suas pendências no comércio e se reabilitaram para novas compras.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, as negativações apontam que os consumidores podem ter gasto além do limite no final do ano passado e acabaram não dando conta de pagar todas as dívidas no início do ano. “Como houve uma recuperação na economia no período, esse número surpreende, pois mostra que as pessoas se empolgaram além do que podiam”, diz.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, concorda com Cafeo. Segundo ele, a inadimplência deste ano reflete as compras do final do ano passado. E, embora tenha havido um crescimento no número de cancelamentos, ainda não há muito o que comemorar em relação a isso. “Tem muita gente que quitou suas contas, mas, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de pessoas acabou tendo o seu nome incluído no SPC. Por causa disso, não houve uma recuperação dos índices de inadimplência.”

Otimismo

De acordo com Cafeo, a elevação das vendas já era algo esperado neste ano. “O primeiro semestre do ano passado foi horrível para a economia. O País estava vivendo uma fase de transição, com a posse do governo Lula, e os diversos segmentos ficaram estagnados”, destaca.

Dessa forma, esse crescimento de 20,43% nas consultas à entidade de proteção ao crédito mostra que as pessoas voltaram a gastar mais no comércio neste ano.

Carvalho confirma que o comércio viveu um momento de ascensão no início deste ano, principalmente nos últimos três meses. “Para o setor de confecção, o frio foi o responsável por esse aumento de vendas; mas houve ainda um crescimento significativo na procura por eletrodomésticos e eletrônicos, impulsionado pela baixa dos juros”, frisa.

O economista completa explicando que, mesmo que o reflexo da queda das taxas de juros não tenha sido tão impactante para o crediário, a sua divulgação através da mídia acabou incentivando os consumidores a irem às compras.

As vendas à vista, embora não façam parte do levantamento do SPC, também registraram crescimento, de acordo com Carvalho. “Pelo que pudemos observar, a movimentação de cheques e vendas no cartão de crédito também tiveram um crescimento considerável”, destaca o presidente da Acib, sem definir números.

Com um panorama tão positivo, apesar da grande quantidade de inadimplentes, a expectativa para o segundo semestre de 2004 é otimista.

Carvalho espera que a procura pelo crediário nas lojas atinja o mesmo patamar dos últimos seis meses, ou seja, gire em torno de 20%. “Deve ser um período importante para o comércio recuperar suas vendas”, salienta.

Para Cafeo, o vigor dos setores agropecuário e industrial deve servir como base para o comércio deslanchar suas vendas e superar os índices do início deste ano. “Como nos próximos meses os consumidores não têm a carga de impostos para quitar, como ocorre no início do ano, acabam tendo mais liberdade para investir suas economias. E o comércio deverá ser o alvo dessa euforia”, diz.