25 de maio de 2026
Polícia

Polícia Civil apreende Viagra pirata

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Além de brinquedos e cigarros, um camelô instalado na quadra 5 da rua Agenor Meira vendia também a promessa de aumentar o desejo sexual dos homens. Por apenas R$ 3,00, o ambulante comercializava cada unidade do Pramil, um remédio conhecido popularmente como Viagra pirata. As pílulas de origem paraguaia foram apreendidas ontem à tarde pela polícia porque não são reconhecidas pelo Ministério da Saúde.

Por meio de uma resolução, a Vigilância Sanitária determinou há mais dois anos a recolha das cartelas em todo o País. No entanto, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) recebeu denúncias de que o medicamento estaria sendo comercializado por trabalhadores informais em Bauru e comunicou a polícia.

“Queremos alertar a população porque o Pramil está sendo vendido como genérico do Viagra, o que não existe. Não sabemos as condições de assepsia em que ele é fabricado e não sabemos os riscos (à saúde) que pode provocar. Ele se apresenta como o mesmo princípio ativo do Viagra”, informa o diretor de divisão de concorrências públicas da ABCF, Fábio Kilberman.

Uma perícia que deve ser realizada pelo Instituto Adolpho Lutz confirmará se os 43 comprimidos apreendidos são nocivos à saúde, informa o delegado do 1º Distrito Policial, Ronaldo Divino. “Dependendo do resultado (da perícia), é que vamos fazer o enquadramento legal (do ambulante)”, explica o delegado.

O trabalhador informal, que foi liberado pela polícia, pode responder por venda de substância nociva à saúde, cuja pena prevista é de até dois anos de detenção. Também pode vir a enfrentar problemas com a Receita Federal e a administração municipal por comercializar produtos importados sem autorização.

“(O enquadramento) por crime de contrabando é muito remoto porque até o momento não há indícios de que ele tenha feito a mercadoria (paraguaia) ingressar no País”, explica Divino. O delegado também considera difícil o caso ser associado à comercialização de produtos entorpecentes porque o efeito provocado pelas pílulas recolhidas ontem é físico e não mental.

Autorização

Só farmácias e drogarias, com a presença de um farmacêutico, têm autorização para vender qualquer medicação, informa a Vigilância Sanitária Municipal. Caso esses estabelecimentos sejam flagrados comercializando remédios sem registro no Ministério da Saúde, o produto é apreendido e inutilizado. O proprietário é autuado e multado em R$ 491,85, valor que pode dobrar em caso de reincidência.

A Vigilância, que também encaminha o caso à polícia, ainda pode interditar a drogaria se o problema persistir. Funcionários de três farmácias consultadas pelo JC negaram a venda das pílulas paraguaias. Eles admitiram “ter ouvido falar” do Viagra pirata e disseram que o produto seria comercializado por trabalhadores informais a preços convidativos.

Uma unidade do Viagra não sai por menos de R$ 22,00, sendo que a do Pramil podia ser adquirida por no máximo R$ 5,00 “dependendo da cara do cliente”. Apesar do preço salgado, as farmácias consultadas pela reportagem confirmam a venda de cerca de 200 caixas por mês de medicamentos que estimulam o desejo sexual, como o Viagra, Cialis, Levitra e Vigamet.

Nos três comércios, o público contumaz tem faixa etária a partir dos 50 anos. Porém, um deles informa que rapazes de 20 anos já estariam comprando os remédios sem receita médica (prática proibida). Seis ambulantes visitados pelo JC alegaram desconhecer qualquer informação sobre a venda do Viagra pirata.

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Sociedade de Urologia alerta para risco à saúde

O consumo de medicamentos que estimulam o desejo sexual dos homens sem orientação médica pode provocar até uma parada cardíaca. A informação é confirmada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seção São Paulo, Agnaldo César Nardi.

De acordo com ele, associação de remédios para o coração com aqueles de natureza semelhante ao do Viagra pode causar queda de pressão e o conseqüente problema cardíaco. “Existe uma infestação desses remédios, a maioria vinda do Paraguai. Eles (os pacientes) perguntam se podem usar e eu digo que não. O maior problema é que não foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, diz.

Além disso, existem outras formas de tratamento para estimular o apetite sexual, informa o urologista. Tratamentos psicológicos, remédios para baixar a ansiedade e a reposição hormonal são exemplos.

“Depois dos 40 anos, 52% dos homens têm alguma disfunção erétil”, comenta Nardi. Para receitar um medicamento como o Viagra, ele verifica se o paciente está tomando outro remédio, faz uma avaliação cardiológica, mede a pressão, além de avaliar as condições do pênis e dos testículos.

Essas drogas facilitam a ereção porque agem no corpo do pênis auxiliando a entrada de sangue no órgão. “Eu só tomo quando quero ter uma relação mais prolongada. Depois que passei a tomar Viagra, recuperei a autoconfiança e não preciso sempre. Antes não conseguia (ter ereção)”, comenta um homem de 62 anos, que faz uso do remédio com recomendação médica.

Mesmo assim, ao consumir uma unidade inteira, sente o rosto ruborizar, além de irritação nos olhos. “Fora isso, não sinto nada de diferente. Já ouvi falar que o remédio provoca dor de cabeça, mas nunca senti. Ouvi comentários de que até morte causou. Não arriscaria minha vida (ao consumir medicamentos mais baratos e não reconhecidos)”, diz. Antes de utilizar o remédio, ele fez reposição hormonal.